Marquetin da iguinoranssa .............................................................
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Se há uma coisa que me irrita na tal de liberdade criativa dos publicitários, é a contribuição desvairada para a deseducação e a incultura do público em geral. Isso quando as ferramentas de Marketing não descambam para a criação e a promoção de produtos que comprometem o comportamento e os bons costumes da sociedade.

Não bastassem alguns jogos RPG e de computador que derivaram para objetivos mórbidos, como atropelar pessoas ou matar segundo critérios racistas, recentemente surgiram novos desafios. Há um jogo chamado Thief que, como o próprio nome está apontando, motiva o jogador a desenvolver as melhores práticas para ser um ladrão bem sucedido.

Vendido livremente nas “melhores casas do ramo”, faz sucesso e diverte adolescentes em meio a tiros e fugas sensacionais. Os soldadinhos de chumbo e os bonequinhos do passado, simbolizando heróis da televisão, foram trocados por um exercício virtual freqüente de “tirar vantagem”, “dar um golpe” e “fugir da polícia”. E depois as pessoas se surpreendem com jovens da classe média assaltando residências para financiarem seus vícios e demências.

O criador desses games, que devia estar na cadeia, segue enriquecendo por conta de um interesse capitalista de toda uma outra cadeia: a de lucros. Criação, produção, fabricação, logística, distribuição, comercialização, tudo parece ser lícito em nome da riqueza. Pouco importa a decência e os valores sociais, o que vale é o princípio capitalista de ganhar dinheiro.

Nessa questão acima, o Marketing acaba dando razão aos seus críticos. O liberalismo sem um padrão ético vai contribuir para o caos social, em que todos nós perdemos com a indesejável violência, o racismo, as doenças psicossomáticas e assim por diante. Mas o problema não pára só nisso!

Recentemente, uma agência criou campanha publicitária conjunta para duas empresas de renome: uma de celular e a outra operadora. Em minha opinião, deveriam ser demitidos todos os que a conceberam e aprovaram. Para um Brasil que clama por melhores caminhos no desenvolvimento econômico, cultural, social e na educação, a dita campanha é um escárnio.

Literalmente, a chamada da campanha tem a seguinte expressão “Nesta revolucaum vc fala + e paga -“. E o resto da burrice vem assim: “Revolucaum dos Ddos é o novo jeito de falar + rápido, + inteligente e + econômico. Use seus ddos e mande msgs, fotos, videos, mails e mto +. Naum perca tempo, aproveite a promocaum 2x1”.

O país tenta investir em programas de leitura para que as pessoas possam desenvolver a linguagem e o raciocínio. Outros programas educacionais buscam alavancar a capacidade de os jovens traduzirem seus pensamentos e reflexões para uma forma coerentemente redigida. Enquanto isso...

Os defensores dessa “liberdade criativa” vão dizer que tudo se espelha na realidade de uma linguagem praticada pelos jovens na internet. Ora, então, ao invés de se contribuir para o uso correto da língua portuguesa nos processos de comunicação, será que os objetivos comerciais e publicitários são fortes o suficiente para justificar a desconstrução da linguagem?

Depois, o país fica hipocritamente chocado quando se depara com o alto índice de reprovação nas universidades de ponta, assim como nos exames de novos advogados para a OAB. E com o baixo padrão intelectual em outras profissões.

Com essa escola pública gratuita que tem ampla mídia na veiculação, envolvendo certas programações televisivas e algumas campanhas infames, infelizmente fica bem fácil de explicar esse cenário triste.

Açim, naum averá língoa portugueza qui conseguira rezisti. Conar neles!

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