| Os escritores de coração |
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Começo por confessar que tem sido muito gratificante a manifestação dos amigos e dos leitores a respeito de meu último trabalho, o livro que Antonio Olinto classificou como “belo e estranho”. Já na sua 2ª edição, 52 ½ semanas de amor é um mosaico de informações que, realmente, transforma-se num guia de harmonia e sedução para casais. Isso sem esquecer que o texto faz um passeio pela história do amor e da paixão.
A obra é parte da produção de quem está nessa estrada da escrita há mais de dez anos. Na primeira metade do tempo, com insistência e perseverança, foram ocupados espaços abertos nos mais diferentes tipos de midia. Depois da edição do primeiro livro (Jogos de Sedução, em 2000), seguido por mais outros quatro, o cotidiano do escritor Mario Divo em nada mudou. A perspectiva de que as coisas poderiam ficar mais fáceis mostrou-se errada. Nunca deixa de existir a busca constante de oportunidades para mostrar idéias, pensamentos e textos.
Com esses dois parágrafos iniciais, eu quis dar um testemunho. Ninguém escapa de caminhar degrau por degrau, numa seqüência quase que diária de pensar, produzir e buscar maneiras de mostrar seu trabalho. Aí talvez, quem sabe, um editor irá se interessar pela publicação do texto. E quando isso acontece, é preciso manter cuidado com a ansiedade. Basta estar próximo a uma livraria e o escritor já entra num estado de transe: estará o livro disponível? Bem visível? Como vai a sua aceitação?
Até mesmo para quem já ganhou fama e notoriedade, a pergunta que mais ocorre a um escritor não é “se o livro está sendo bem vendido”. A questão prioritária é saber “como estará a sua aceitação”. Ter o trabalho reconhecido e aceito pelo público acaba sendo muito mais importante que, por paradoxal que pareça, o nível de venda. Ainda que os editores não pensem por esse caminho, é claro!
Daí eu estar trazendo uma definição para o esforço constante de um escritor de coração. Escritor de coração, o que é isso? Eis aí a pessoa que, com a expectativa do talento de um verdadeiro artista, dedica-se de corpo e alma a registrar as próprias emoções sob a forma de um poema, uma poesia, um conto ou um romance.
Um escritor de coração deseja traduzir idéias num cenário de ficção ou fazer o resgate de um momento passado. Ele pode também dar uma visão pessoal para determinada realidade ou, quem sabe, criar uma mistura de tudo isso. Enfim, ele é o artista que, com a maior motivação em levar suas palavras aos leitores, coloca a sensibilidade em tudo o que compõe com palavras, sem perder de vista a correta técnica.
Às vezes, até bons redatores se confundem ao escrever suas obras, na diferenciação do que seja um conto ou uma crônica. O Conto é a narrativa curta, em geral ficcional. Uma narrativa mais longa, podendo ou não mesclar elementos da realidade, torna-se um Romance. A Crônica é uma narrativa também curta, baseada em assuntos do cotidiano ou de interesse geral, que se caracteriza pela transitoriedade dos temas que são abordados. Para completar, a Poesia é um texto sintético com belo grau de efeitos nas palavras e que encanta pelo ritmo, sonoridade e outros recursos de criação literária.
Deve ser do interesse de qualquer escritor entender os quesitos comuns e gerais que são aplicados na avaliação de um Conto ou Romance. É muito importante manter-se atento com o desenvolvimento da ação e do enredo, ter originalidade e apresentar um estilo interessante, aplicar-se na forma de construir os personagens e na descrição do ambiente em que se passa a história. No caso de Poesia, além dos aspectos de criatividade e originalidade, não se pode perder de vista o formalismo técnico.
Certamente, se você é um escritor de coração vai então participar de qualquer concurso sem se importar com o prêmio material. Um artista, na acepção da palavra, sempre tem registrado na alma o prazer de divulgar obras e idéias. Reconhecimento pelo trabalho vem antes de qualquer premiação, ainda que esta não deixe de ser uma forma mais concreta de aceitação e qualidade.
Eis outro ponto importante a destacar. Um escritor de coração não fica constrangido ou preocupado por colocar seu trabalho participando de um julgamento, seja num concurso ou na avaliação de potencial editor. Afinal, são os comentários que um artista recebe que poderão contribuir para aprimorar sua capacidade futura de construir viagens, sonhos e fantasias com o uso adequado de palavras.
O escritor de coração, esse mesmo que se interessou por este artigo até o momento, pode rever os critérios que um avaliador normalmente aplica ao julgar um texto. Mais ainda, certamente deseja que o público valorize os melhores hábitos de leitura e de escrita. Enquanto isso, do outro lado, o leitor espera pela demonstração de talento de todos os artistas que se lançarem ao nobre ofício, com idéias na cabeça e seu jeito todo peculiar de a elas dar forma.
Ter uma obra divulgada e lida, por qualquer caminho ou meio. Receber os comentários e críticas para sempre fazer um trabalho melhor. Eis aí o maior de todos os prêmios que um escritor de coração pode receber dos leitores.
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