| Nos caminhos de uma grande paixão |
................................. |
Após a publicação de nossos textos tratando de amor e paixão, alguns amigos, como é natural, abriram vários debates a respeito. Há aqueles que colocam seus argumentos em defesa de causa própria, outros fingem que fazem diferente, mas as conversas são de um vigor tão forte como esses sentimentos que sempre serviram de matéria-prima a poetas e escritores.
Então, decidimos continuar caminhando nesse terreno fértil, além de desenvolver um pouco mais o tema, incluindo uma pequena história, nem um pouco singular, que retirei de uma revista venezuelana. Aí, então, os valentes e destemidos que se habilitem ao desafio.
A vida é pródiga em criar condições para que conheçamos outras pessoas. Coloca algumas armadilhas no caminho e, de repente, dando pouca ou nenhuma oportunidade de defesa à nova vítima escolhida, eis que faz surgir a paixão.
Paixão, sentimento forte que domina nossas ações e sentidos e, ao mesmo tempo, enche-nos de vitalidade. Será que a vida fica melhor quando se vive uma paixão? Quanto tempo, na verdade, ela perdura?
Naturalmente, o primeiro passo de um apaixonado é comparar seus momentos, de enorme êxtase, com os de amigos e conhecidos, bem como ler poesias, preparar versos e, depois, concluir que seu caso é diferente dos demais que a história da humanidade registrou. Para cada apaixonado, seu caso é único e particular, especial.
Os apaixonados não se apercebem que essa emoção tem contornos claros, nítidos e repetitivos. Ela não distingue casais, opções sexuais, ricos ou pobres. Ao assumir seu posto, a paixão é dominadora das pessoas envolvidas, sem preconceitos ou diferenciações de qualquer tipo.
Um outro ponto curioso é que, após instalada a paixão, cada pessoa explica seu aparecimento de acordo com as próprias crenças e valores, nem sempre de forma racional, mas com um emocionalismo a toda prova.
Se acreditarmos em Platão, deveremos aceitar a sua base filosófica de que, numa relação entre duas pessoas, há um desejo implícito de unir-se a alguém dotado de perfeição, numa avaliação socialmente aceita. Aliás, em depoimento recente, o escritor Octávio Paz lembrou que, para Platão, o amor era o erotismo, a força atuante, um desejo de beleza que se completa na contemplação daquilo que é assumido como eterno.
Outros acreditam na paixão como decorrente da atividade bioquímica de nosso corpo, mas o gostoso, no auge da paixão, é sentir-se forte pelo vigor físico e sexual. Só que, quando a paixão começa a ir embora, a fantasia da perfeição vai deixando de existir, e surge uma realidade dura e crua, trazendo para o convívio dos "eternos apaixonados" alguns sentimentos negativos como frustrações, ressentimentos e, às vezes, agressividade.
E entre tantas confusões, interpretações imperfeitas, e trocas de posto entre o amor e a paixão, quero comentar uma definição que ouvi de um amigo poeta, Antonio Baptista, em que dizia: "se a paixão é uma luz que obscurece tudo o mais, o amor é uma semente preciosa que almeja germinar".
De qualquer forma, o amor e a paixão buscam, cada qual à sua forma, resgatar no ser humano uma perspectiva de eternidade. Certamente, no passado, muitas pessoas passaram a receber tratamento como um louco e foram internadas num hospício, sob a alegação de que não tinham mais um comportando socialmente adequado. Na verdade, a "doença" nada mais era que uma forte, tórrida, normal e conhecida paixão.
E, agora, vale a pena conhcer nossa história, típica do "era uma vez".
Havia uma princesa que queria casar-se com alguém especial. Os homens mais bonitos do reino eram levados à sua presença. Aqueles por quem ela não tinha interesse eram liberados. O escolhido devia casar-se com ela e satisfaze-la sexualmente.
Mas não bastava ser um mestre nessa arte, pois ele devia ter outras habilidades que pudessem entretê-la. Enquanto conseguisse isso era mantido vivo, do contrário, condenado à morte. Mas ninguém conseguia ficar vivo mais de seis meses, o que fez com que vários homens passassem pela vida da nossa heroína.
Uma vez, um jovem escolhido já estava há mais de um ano com a princesa, sem que ela demonstrasse a menor motivação em matá-lo. Todos os dias ele preparava excelentes refeições e, quando ela o elogiava, ele lhe prometia preparar, numa outra vez, o melhor de todos os pratos.
Ansiosa, ela jurou transformá-lo em príncipe do país, desde que ele lhe preparasse aquela mais fabulosa iguaria que ela pudesse comer. O rapaz escolheu fazer o Halvá. A princesa se encantou e marcou a coroação para o dia seguinte.
Só que o eleito pela princesa fugiu, aproveitando-se que os guardas deixaram de vigiá-lo. Ela, definitivamente apaixonada pelo homem perfeito, está vagando pelo mundo em busca de um outro alguém que saiba preparar o Halvá, para com ela viver e governar o país.
Para os que querem se habilitar ao posto, ou mesmo para as mulheres que quiserem enlouquecer seus homens, temos a receita. Prometo responder a todos os pedidos, sem custo, apenas em nome do rei e da rainha, cujos verdadeiros nomes são O Amor e a Paixão...
< Voltar : imprimir
|