Conjuntura Econômica - Fevereiro de 2002

1. Opinião

Muito interessante a iniciativa da agência carioca de publicidade G/Staff. Com a determinação de crescer, buscou fazer o que qualquer prestador de serviço sempre deve ter como prioridade: ouvir o cliente. Realizou uma pesquisa para saber, ao final das contas, o que o anunciante carioca deseja e espera. Eis algumas conclusões valiosas.

De positivo, identificou-se que os anunciantes reconhecem a relevância do trabalho publicitário no crescimento dos negócios, até pelo fato de a agência possuir uma posição distante das políticas e questões internas do cliente. Além disso, ela sempre traz soluções novas para as necessidades identificadas. O planejamento técnico e estratégico, a criatividade, o atendimento com qualidade e agilidade, o espírito de parceria e a disponibilidade de dados para o cliente são diferenciais fundamentais para uma agência se destacar.

Como nem tudo são flores, os anunciantes apontaram pontos negativos sobre os quais os profissionais de comunicação e publicidade devem refletir. Invariavelmente, eis que aparece a reclamação quanto aos altos custos na atividade, incluindo as práticas de remuneração de serviços. Alguns anunciantes chegam a chamar de desonesta a relação, o que nos parece carregar uma bela dose de exagero.

Uma reclamação que faz sentido é a de que o cliente pede uma campanha para uma verba estipulada e a agência sempre carrega um pouco mais. Aí vem a desculpa de que tal custo não tinha sido orçado, a produção é que encareceu, etc. Além disso, algumas agências se mostram sem compromisso com os resultados ou até mesmo em aprender mais sobre o negócio do cliente.

No quesito comportamento profissional, a reclamação maior fica para a vaidade que existe na área. Devemos admitir que, nesse ponto, não encontraremos muita discordância, até entre quem é do meio. Quanto à mídia, a reclamação fica para a pouca criatividade na escolha de opções alternativas, parecendo ser uma atividade burocrática e de mera intermediação.

Como podemos ver, algumas percepções chegam a ser aparentemente contraditórias, mas elas representam aquilo que anunciantes viveram em suas experiências anteriores. Como na vida pessoal, as lembranças e percepções do casamento estão muito ligadas ao que cada um viveu ou vive, de ruim e bom.

Cabe, como conclusão, orientar os anunciantes a não desistirem de sua busca pela agência que lhe dará sensações e emoções deliciosas por vitórias conquistadas. Mas, também, não seja aquele que pula de galho em galho, e aprenda que nenhuma relação é unilateralmente perfeita. Para ela crescer, participe, engaje-se, converse e cresça junto, pois o interesse pelo sucesso dessa parceria é de ambos: anunciante e agência.

2. Dois em um

O assunto não poderia deixar de ser tratado aqui mas, desta vez, numa outra ótica. Vamos ver o que o ex-poderoso Domingo Cavallo dizia anos atrás:

"O único dado negativo do novo plano argentino é o desemprego. A taxa de câmbio em um-por-um irá sustentar a economia por muito tempo", em abril de 1994;

"Na Argentina, a estabilidade é como a européia, a norte-americana e a do Sudeste Asiático", em junho de 1995."

3. Frase do mês

"Pai rico, filho nobre e neto pobre".
Expressão que, com pequenas variações, é encontrada em mais de 40 idiomas.

4. Mundo da publicidade

A revista Advertising marcou um belo gol de placa com essa capa. Ela resume bem a importância da marca de um produto para o consumidor, o que exige envolver apelo emocional. Na figura, o texto na garrafa da esquerda racionaliza o que é a bebida: água gaseificada, açúcar, extrato de noz de cola, cafeína, corante caramelado, acidulante e aroma natural. Qual das duas opções você escolhe? Ponto para a frase "palavras são palavras, nada mais". O que vale mesmo é a emoção associada ao produto servido um bilhão de vezes por dia!

5. Pílulas e Notas

Cachaça nota 10

Muita gente não gosta e vários dizem que não bebem. Mas para especialistas, há cachaças que são um tesouro para o paladar. Pois a Nota 10 vem da cidade mineira de São José das Palmeiras e tem uma grande qualidade além de todas as premiações já recebidas em festivais e concursos. Os resíduos da produção (bagaço e vinhoto) são totalmente utilizados como alimento para o gado, gerando um ciclo ecologicamente correto, e os canaviais não são queimados, mas adubados organicamente. Vale o exemplo para os concorrentes, ok?

R$ 300 milhões

O consórcio Odebrecht/Promon garantiu, a vários fornecedores de produtos e serviços, que irá dar ampla preferência às empresas nacionais ao longo dos processos de compra para as obras que o grupo está realizando em três termoelétricas: em Pernambuco, Mato Grosso e Rio de Janeiro. Isso é muito positivo para a indústria nacional que, com isso, não só garante empregos no país como pode crescer mais sua competitividade pelo desenvolvimento de novas tecnologias na área de energia.

Lucros na educação?!

O governo federal canta loas aos resultados que o Brasil vem tendo na área de educação. Mas como aceitar que, de fato, quem tem investido forte e está ganhando espaços junto à sociedade são os grupos privados. Eles crescem de maneira gigantesca através de convênios e franquias, e o número de alunos deu um salto superior a 30% no último ano. A sugestão desta coluna é que o Ministério da Educação encontre formas de ampliar sua atuação, dirigida aos mais carentes, para além do chamado ensino fundamental.

Que absurdo!

Em pleno período de defesa da cidadania, incluindo as preocupações ecológicas em todo o mundo, eis que o governo estadual do Rio de Janeiro entra em rota de colisão com a UFRJ. Sabem porque? Um estudo da Secretaria Estadual do Meio Ambiente está prevendo o despejo de lama tóxica retirada do Complexo da Maré para a Ilha do Fundão. A UFRJ tem uma solução técnica para transferir essa lama a outros locais mais distantes, mas o governo acha caro. Fica então explícito que o fator econômico, até nas hostes públicas, parece autorizar uma ação ambiental predatória.

Lês Misérables em Sampa

Seguindo uma tendência internacional, a Editora Abril e a empresa mexicana de marketing CIE (a maior em entretenimento ao vivo na América Latina) juntaram forças e assumiram o comando no Teatro Paramount, em São Paulo. Rebatizado como Teatro Abril, segue o conceito chamado naming rights, que é o de rebatizar espaços públicos com marcas reconhecidas e competitivas. E a estréia, com a famosa peça de Victor Hugo, foi um exemplo de sucesso de crítica e de público, alcançando o maior faturamento publicitário no teatro brasileiro, de R$ 4,2 milhões.

Uma no cravo...

Cenário: idos de 1995, revisão constitucional, polêmicas, ricos lobbies. Auge das discussões sobre a abertura do mercado em energia, telecomunicações, cabotagem e recursos minerais. Invariavelmente, em audiências públicas, depoimentos de técnicos ou matérias jornalísticas, a Argentina era exemplo mais que perfeito. Dizia-se do sucesso que aquele país alcançara com a ampla abertura criada pelo Governo Menem e conduzida pelo seu ministro Domingo Cavallo. No cenário latinoamericano da energia, a americana Enron ditava regras e a sua estonteante vice-presidente, nas visitas ao Brasil, fazia pular mentes e corações.

...outra na ferradura!

Cenário: início de 2002, um raro ano palindrômico. A Argentina vive o caos, com falta de comando e liderança, uma revolta pública com a desnacionalização de patrimônio mal sucedida, movimentos contra uma corrupção institucionalizada. A Enron, após convencer seus funcionários a adotarem o sistema de contribuição definida para o plano de pensões e aplicarem os recursos na empresa, faliu. Toda a poupança de milhares de pessoas evaporou-se da noite para o dia. Fica, com isso, um recado sutil para as nossas lideranças:cada país deve encontrar o seu modelo sócio-econômico, que terá sucessos e fracassos, sem a doce (ou desonesta) argumentação de que "em tal lugar deu certo!".

6. Elogiando

Uma das mais competentes empresas de pesquisa de marca no Brasil, a Jaime Troiano Consultoria, procurou identificar nacionalmente quais as rádios de maior índice de prestígio. O resultado que merece citação neste Elogiando aponta a Rádio Gaúcha, da rede RBS, em terceiro lugar, quase empatando com a segunda colocada, a Jovem Pan, e não distante da primeira, a CBN. Para uma rádio de alcance regional, ter esse prestígio todo é fantástico.

7. Não deixe de visitar

Uma das áreas da economia nacional que está com enorme crescimento é a do petróleo. Como já citamos no mês passado, os investimentos previstos para os próximos dez anos chegam à ordem de US$ 100 bilhões. Muitas parcerias, novas oportunidades e acordos operacionais começam a ser realizados e a ONIP - Organização Nacional da Indústria do Petróleo tem sido de extrema importância nesse processo. Acesse o site www.onip.org.br e veja se alguma iniciativa ou projeto pode ser de seu interesse.

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