Conjuntura Econômica - Março de 2002

1. Opinião

Foi uma cerimônia rápida, mas repleta de informações interessantes, com figuras importantes reunidas em torno da novidade. Assim é que eu começo a descrever a divulgação da Matriz Energética do Estado do Rio de Janeiro, projetada até 2008. Aliás, reunião que teve o apoio da Associação Comercial e da Firjan, iniciando por um balanço das realizações dos últimos três anos.

Vale aqui uma peculiaridade, que em outros veículos poderia ser explorada de maneira polêmica, pela mescla ideológica existente. Na mesa, o Secretário de Estado de Energia, Indústria Naval e Petróleo, Wagner Victer, ladeado pelos empresários Marcílio Marques Moreira e Ivan Botelho. Também lá estavam o presidente da ONS, Mario Santos, e Luis Pinguelli, da UFRJ/Coppe, além de representantes das concessionárias de energia elétrica. Na platéia, estavam presentes executivos e acadêmicos, da área pública e privada.

A primeira declaração do Secretário Wagner Victer deixou claro que, ainda que sempre tenha discordado da forma como o Governo Federal comandou as privatizações na área elétrica, não adiantava assumir a posição de só reclamar. Era importante agir e, de preferência, com o envolvimento direto das empresas. Daí, mangas arregaçadas, partiu-se para a ação vitoriosa deste três anos.

Em 1999, o Rio de Janeiro necessitava trazer energia de fora das suas fronteiras. Hoje, passou a ter superávit, podendo até fornecer excedentes para outros estados. Esse resultado veio de um bem acabado plano estratégico, para o que contribuíram todas as competências existentes, independentemente de suas ideologias. Foi a vitória da cooperação sobre a competição. Mas há um dado fantástico que merece citação.

No início de 1999, havia cerca de 350 escolas em áreas rurais que não dispunham de energia elétrica. Hoje, apenas 25 escolas ainda estão na fila para receber essa benfeitoria, o que deve ocorrer até meados do ano. Paralelamente, mais de 20.000 propriedades rurais também puderam se beneficiar desse programa. Isso foi narrado por Ivan Botelho, megaempresário brasileiro que não conseguiu disfarçar a voz embargada, ao lembrar-se das cenas de felicidade que acompanhou pessoalmente, em várias localidades.

Não seria necessário dizer o quanto essa realidade traz de segurança, bem-estar e cidadania às populações atendidas. Além disso, outros ganhos associados são relevantes, pois o aumento no futuro consumo de produtos eletro-eletrônicos é fator impulsionador da economia local. A geladeira, a televisão, o rádio, a lâmpada, entre outros exemplos possíveis, gera novos empregos, mais oportunidades e o fundamental: a inserção social. Vamos torcer para essa iniciativa ser seguida em outros estados.

2. Dois em um

Peter Sealey é o homem que criou o slogan "Sempre Coca-Cola", sendo hoje um requisitado consultor e palestrante. Eis dois comentários num só box:

"A grande quantidade de competidores, em qualquer tipo de mercado, está se reduzindo a quem tem um excelente plano de negócios";

"Tecnologia, informação e empregos altamente qualificados. É nisso que está o futuro do Brasil"

3. Frase do mês

"Quem perde a honra e a ética pelo negócio, no final perdeu a honra, a ética e o negócio". Adágio popular.

4. Mundo da publicidade

Para quem não acredita na força da comunicação, eis aqui um excelente contra-exemplo. Lançadas em 1962, com política de preços baixos, as Havaianas passaram a ser conhecidas como sandálias de pobre. Na década de 90, essa imagem se refletiu em queda de vendas, reforçada pela concorrência de novos produtos similares. Pois foi definida uma estratégia para atingir os jovens, a partir do redesenho do produto, com novas cores e categorias, alcançando crescimento de vendas de 50% nos últimos seis anos. E a campanha criada pela AlmapBBDO bem que consegue estimular o consumidor, não é mesmo?

5. Pílulas e Notas

Sinal dos tempos

O Sindipetro-RJ tem alertado para um problema que, na dimensão anunciada, exige uma atenção das autoridades, antes que se alastre sem controle para outras regiões. Segundo nota distribuída pelo sindicato, estão ocorrendo invasões por pessoas de comunidades vizinhas à Refinaria de Manguinhos. Elas fogem de conflitos com a polícia, já tendo havido troca de tiros e a presença de elementos armados em áreas de segurança industrial. Já ouvimos relatos de fatos similares em empresas de outras áreas da Grande Rio. Cabe às autoridades uma manifestação a respeito!

Competências!

A empresa de consultoria KPMG elaborou um estudo sobre a questão das competências hoje exigidas pelas empresas. Ficou demonstrado que cursos ou experiências específicas, por exemplo, são vistos como complementos e não competências. O diferencial está no comportamento, sendo as competências mais valorizadas saber trabalhar em equipe, a liderança, a negociação, o relacionamento, a iniciativa, a visão estratégica e o foco no cliente. O grau de exigência para cada uma dessas competências dependerá do cargo, mas porque não criar um plano de ação para o seu caso particular?

Aqui se cresce!

Há mais de 2300 empresas desenvolvedoras de software no Brasil, com faturamento global na ordem de R$ 8 bilhões. Com a importação em US$ 1 bilhão/ano, cerca de ¾ de nossas necessidades são atendidas localmente. Por outro lado, vários produtos nacionais estão crescendo sua presença no portfólio de exportações, como divulgou recentemente a Abinee. Comparando os anos de 2000 e 2001, a exportação de telefones celulares cresceu 18%, a de componentes para telecomunicações em 39% e a de componentes para equipamentos industriais 38%. É ou não um dado promissor?

Uma boa dica!

Já fizemos comentários anteriores sobre a miopia em só se privilegiar estratégias para o triângulo Rio-Sampa-BH, às vezes derivando para o Sul. Daí, é oportuna uma matéria da revista About (www.about.com.br) sobre o estágio de maturidade do mercado consumidor no Norte e Nordeste do país. São 60 milhões de pessoas e mais um número imenso de turistas nos meses de verão! Mesmo com renda per capita inferior às das regiões Sul ou Sudeste, o potencial de resultados é enorme. Além disso, pode-se contar com empresas de comunicação e de mídia da melhor competência, tanto no Norte como no Nordeste.

Show de Bola!

Um grande exemplo de como uma estrutura familiar pode funcionar bem, se movida por corretos princípios de gestão, é o das Casas Bahia. Com cerca de 70% das vendas associadas a produtos eletro-eletrônicos, o ano de 2001 se mostrava muito preocupante. Mas uma reorientação na estratégia de marketing fez com que o faturamento anual superasse R$ 3,5 bilhões. Como? Passou a investir mais na comercialização de móveis, sem perder de vista as melhorias constantes nos sistemas de logística e crédito, bem como o não-endividamento. E pensar que o processo decisório ocorre apenas nas reuniões-almoço em família!

Que loucura!

Cada vez mais, as empresas de cartão de crédito se mostram um exemplo negativo de tudo que se prega no marketing de relacionamento. O absurdo fica para o julgamento do leitor, e o texto completo recebido é este: Mario, como nosso associado há 26 anos (grifo nosso), você tem 10% de desconto (grifo nosso) na taxa de encargos contratuais aplicado sobre o saldo financiado de janeiro a março de 2002. Será que um cliente (ininterrupto) de tanto tempo só vale isso? As concorrentes do Mastercard/Credicard serão diferentes?

Lá fora dará cadeia?

Comentamos, na edição passada, sobre a falência bilionária da empresa Enron. Lembramos que o seu crescimento no país tropical foi cercado de suspiros apaixonados, a cada vez que sua vice-presidente vinha por estas bandas. E agora, que a gigante desmoronou, lá nos Estados Unidos promete-se ampla investigação do golpe, identificando a participação de jornalistas, de auditores da Arthur Andersen, de executivos de empresas e das bolsas de valores, culminando com a de políticos, quem sabe até a do presidente do país. Fica uma pergunta: será que é para valer? Os americanos têm aí outra excelente chance de mostrar ao mundo que democracia e transparência não é só discurso político para o Terceiro Mundo.

6. Elogiando

Muito boa a pesquisa do jornal Folha de São Paulo, publicada em 3/2/2002. Lá é feita uma análise profunda dos resultados esperados pelos que buscam investir em desenvolvimento profissional, através de cursos de pós-graduação. Para exemplificar, 44% tiveram promoção e 50% melhorias salariais. O problema identificado, nesse estudo, foi na constatação de que metade do grupo é obrigada a bancar o curso do próprio bolso!

7. Não deixe de visitar

Os pequenos e médios empresários, freqüentemente, acabam tendo necessidade de crédito, para alcançarem mais competitividade e produtividade em suas empresas. Aliás, o chamado microcrédito tem tido uma tendência grande de crescimento. Daí, nunca deixe de acompanhar as possibilidades oferecidas pelo BNDES (www.bndes.gov.br), a Caixa Econômica Federal (www.cef.com.br) e o Banco do Brasil (www.bb.com.br). Certamente, alguma opção irá atender a cada interessado em particular!

<< voltar - | - imprimir