Conjuntura Econômica - Abril de 2002

1. Opinião

Poucas pessoas vão se lembrar mas, há cerca de doze anos, o atual senador José Serra era presença certa no programa de meio-dia da TV Record, apresentado pelo jornalista Hélio Ansaldo. Comentarista já muito respeitado, ele nem imaginava o rumo que sua vida pública iria tomar.

Uma das frases que José Serra passou a repetir, desde então, foi a de que um político não é pasta de dente e nem sabonete para ser submetido à ditadura do marketing. Com isso ele queria descartar a importância desse tipo de atividade na formação da correta imagem do homem público, o que deveria ocorrer apenas pela divulgação natural dos trabalhos realizados.

Mais recentemente, quem embarcou nesse mesmo discurso foi o deputado federal Delfim Neto, por conta do crescimento espetacular havido na intenção de voto na governadora Roseana Sarney. Sei que ambos não combinaram, mas o que a "filosofia do sabonete" defende é utópico, até pela enorme dimensão geográfica do país, que impede as pessoas de estarem fisicamente próximas de todos os acontecimentos.

Mas não é que, no fundo, o senador Serra leva jeito para ser marqueteiro?

Ele liderou uma ferrenha batalha com os laboratórios para poder criar a linha de remédios genéricos. Ou seja, definiu um produto novo para enfrentar a concorrência, aproveitou a rede de distribuição que o país já tem, e implantou uma política de preços bem favorável ao povo. E é claro que não se esqueceu de divulgar a iniciativa de todas as formas possíveis, até com chamativas informações em pontos de venda.

Mas o que faltava, ainda, veio há pouco tempo, evidenciando o tino de comunicador do senador: era fundamental ter um identificador simples e direto para a população reconhecer o produto genérico. Era preciso resumir uma promessa e atributos de produto bom e barato num símbolo. Faltava a marca!

A marca, que para os grandes laboratórios influía consideravelmente no preço, iria ter outra função para o genérico. Nasceu o "G", comprovando que o marketing também tem sua importância na gestão do interesse público. E a perfeição de toda essa campanha chega ao ápice com o carisma de um conhecido artista, garoto propaganda do remédio genérico, aquele que "tem o G de Gugu".

2. Dois em um

Em recente entrevista a uma revista especializada, a diretora-executiva do Procon-SP abriu o coração. Eis dois desejos comentados por Maria Fornazzaro:

"Que seja julgada improcedente a ação da Consif - Confederação Nacional do Sistema Financeiro, argüindo que os bancos não tenham que se submeter ao Código de Defesa do Consumidor";

"Que mais e mais empresas implantem serviços de atendimento ao consumidor, e tenham foco na prevenção e educação ao invés de só corrigir falhas".

3. Frase do mês

"No Brasil, o único que acabou no xadrez foi o Mequinho", frase da revista Casseta & Planeta, bem atual para os nossos dias de hoje.

4. Mundo da publicidade

Já divulgamos várias notas com referência à contribuição da embalagem para o sucesso de produtos. E, mantidas as proporções, os conceitos valem também para o mundo da prestação de serviços. Pois é muito interessante o anúncio da Associação Brasileira de Embalagens, estimulando os empresários a visitarem o site: www.comitedesign.abre.org.br. Lembre-se, uma embalagem competente contribui efetivamente na valorização da marca pelo consumidor.

5. Pílulas e Notas

Lembram-se disto?

Esta coluna foi uma das primeiras da mídia nacional a comentar a fraude que levaria à falência da americana Enron. Inclusive, mencionamos o desespero dos empregados que tiveram economias desviadas do fundo de pensão para serem investidas na aventura de crescimento e rentabilidade anormal daquela empresa. Por outro lado, a Andersen, uma das mais antigas e respeitadas empresas de auditoria, carrega boa dose de culpa e está com a imagem na berlinda. E tudo aconteceu comandado por um grupo de executivos irresponsáveis, certamente interessados na multiplicação de seus bônus de produtividade.

E a ética com os acionistas?

Hoje, ninguém dá mais nada pela Andersen, pois sua marca ficou arrasada. Perdendo clientes dia-a-dia, não acha investidores que queiram comprar problema tão sério e sobrevive na iminência de ser criminalmente indiciada pelo governo americano. Não se deve esquecer, no entanto, que a posição tomada pelos executivos foi estimulada pela conquista de prêmios. E os acionistas, felizes com números maravilhosos, deviam ser só felicidade! Até que o problema estoura e a marca vai para a lama. Será que os empresários brasileiros sérios saberão colocar limites para que executivos afoitos não façam o mesmo por aqui?

Prometeram melhorar!

Atualizando uma informação que demos em meados do ano passado, mostrando que o setor de telefonia pós-privatização mantinha o maior índice de reclamações junto ao Procon-SP, eis o resultado das 360 mil consultas que o órgão recebeu em 2001. A telefonia continua disparada lá na frente, com 34% das reivindicações dos consumidores. Em segundo, ambos beirando os 5,9%, uma disputa acirrada entre os Bancos e os fabricantes de Móveis. Atenção ANATEL,vai ficar por isso mesmo?

Alto agito!

Duas notícias sacudiram o mercado publicitário, envolvendo prestigiadas agências. Por um lado, a francesa Publicis comprou por US$ 3 bi a Bcom3 (leia-se Leo Burnett e D'Arcy), e ainda fez um acordo comercial com a japonesa Dentsu, tornando-se o quarto maior grupo mundial desse setor. No Brasil, 10 agências irão operar de forma independente, mas agora agregadas num mesmo grupo. Por outro lado, o todo-poderoso Afonso Serra deixa a presidência da DM9DDB, após 12 anos na agência, alegando motivos pessoais. Especula-se que estaria saindo para uma nova empreitada com Nizan Guanaes. Será?

Marcas do Coração

Em março foram divulgados os resultados da promoção "Marcas do Coração", liderada pelas associações afins com marketing e comunicação. Dos 2,5 milhões de cupons saiu a lista de marcas mais queridas pelo brasileiro, por categoria. A lição que se pode tirar do resultado é que as marcas vencedoras são as que tiveram uma ação continuada e coerente de comunicação, ao longo do tempo. Algumas poucas surpresas ocorreram, entre elas a marca AIWA disputar no mesmo nível que Sony e Gradiente, bem como a Cônsul empatar com a Brastemp. Mais detalhes da promoção podem ser conferidos junto ao Datafolha.

Felicidade

Que o aspecto emocional tem influência enorme na imagem das marcas, disso ninguém mais duvida. E é uma realidade que vale para muitas coisas na vida! Sabia que na Inglaterra, para fugir dos gastos com reajustes salariais de empregados, algumas empresas estão mudando o nome do cargo para algo mais charmoso? E sabia que alguns empregados estão ficando contentes com isso? Numa recente pesquisa, o resultado mostrou que metade das pessoas entrevistadas ficaria mais feliz com um novo título para seu cargo. Quanto à outra metade...

6. Elogiando

O Instituto Brasileiro de Petróleo, além de sua programação normal de projetos e serviços, em que se inclui tornar-se Organismo Certificador de Produto autorizado pelo Inmetro, está organizando dois mega eventos internacionais para Setembro próximo. A exposição Rio Oil & Gás e o Congresso Mundial do Petróleo vão gerar inúmeras oportunidades de negócios. Você empresário ou estudante universitário, não deixe de lado a chance de se aproximar-se desse mercado. Para mais informações, contate o IBP ou este colunista por email.

7. Não deixe de visitar

Para você que tem responsabilidades associadas à gestão de marketing, de comunicação ou de marcas, o BrandFidelity é fantástico. E para quem não tem a ligação direta com o assunto, mas vai precisar decidir investimentos em novos produtos (que requerem marca conhecida, muitas vezes de abrangência internacional) ou em campanhas mercadológicas, o site é muito útil. Você não vai resistir a se cadastrar em www.brandfidelity.com!

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