Conjuntura
Econômica
- Maio de 2002
1.
Opinião
A globalização, certamente, estará em
moda durante a próxima campanha eleitoral. Sob a ótica
da economia, suas principais características podem
ser definidas como a formação de blocos regionais
e diminuição das barreiras ao livre comércio,
crescimento do setor de serviços, maior importância
relativa para a informação e agilidade no seu
processamento, fusões, alianças e terceirização
de atividades pelas grandes organizações.
A conjugação desses fatores forma um ambiente
que leva as pessoas, cada vez mais, a se motivarem em estruturar
o próprio negócio, no formato de micros e pequenas
empresas. Com isso, sem dúvida, surge uma criação
líquida de empregos, e que merece ser estimulada com
alternativas de acesso ao sistema financeiro, redes de cooperação
no setor e linhas de assistência técnica.
Vale notar que alguns países se destacam pela importância
dada às micro e pequenas empresas. Conforme estudos
do BNDES, nos Estados Unidos, Itália e Taiwan foram
implantadas formas diferenciadas de apoio ao setor, em função
dos papéis esperados para as empresas, em cada economia.
Nos Estados Unidos, elas asseguram o livre mercado, na Itália
diminuem diferenças de desempenho regionais e, em Taiwan,
podem responder rapidamente a mudanças de demanda mundial
e criam inovações.
No Brasil, as micro e pequenas empresas cumprem um papel fundamental
na geração de empregos, mas ainda vivem o problema
da alta mortalidade, por razões que passam pela limitação
administrativa do empreendedor. E isso acontece mesmo com
a existência de programas específicos de instituições
como Fundacentro, SESI, Senai e Sebrae, entre outras.
Por essa razão, parece que estamos no momento de ampliar
as oportunidades para ver crescer as incubadoras de empresas,
hoje ainda muito limitadas e com imagem atrelada ao ambiente
acadêmico. Internacionalmente, o incentivo às
incubadoras e parques industriais-científicos fez mudar
a realidade das micro e pequenas empresas. Nos Estados Unidos
e Itália, a taxa de sobrevivência está
na ordem de 80%.
Já que, no Brasil, o governo e as grandes corporações
também dependem das micros e pequenas empresas vivas
e fortes, que tal ampliar os incentivos e apoios para as incubadoras
e os nascentes parques tecnológicos?
2.
Dois em um
Em palestra recente, o cientista político francês
Alain Touraine assim fez referência à crise argentina,
originada de um neoliberalismo exacerbado:
"A
idéia de que a Argentina é um país que
não existe é cada vez mais forte";
"O neoliberalismo extremo desorganizou a produção
do país".
3.
Frase do mês
"Era preciso um mínimo de nível para mim
(sic) continuar lá dentro", frase da socialite
Carola ex-Scarpa, após sua saída do programa
Casa dos Artistas II.
4.
Mundo da publicidade
Meu amigo José Roberto Penteado lançou o desafio:
quais os melhores e mais marcantes momentos da publicidade,
em todos os tempos? Na composição do livro 50
Anos de Vida e Propaganda Brasileiras ficou claro que
nossos padrões culturais e sociais têm um elo
claro, insofismável e direto com essa atividade. E
nossos votos são coincidentes: o do garotinho francês,
no lançamento do iogurte Danone (que esgotou os estoques
dos distribuidores) e o do primeiro sutiã Valisère
(aquele que a mulher nunca esquece).
5.
Pílulas e Notas
União
faz a força
Não é só no futebol que novas entidades
vão nascendo! Após 40 anos bem vividos, a Abert
- Associação Brasileira de Rádio e Televisão
passa a contar com a oposição da Unert - União
Nacional de Emissoras de Rádio e Televisão.
Essa foi uma iniciativa de três grandes redes de comunicação
(Band, Record e SBT), formando um grupo unido que vai perturbar
a liderança da Globo. O momento é delicado,
com a perspectiva próxima de entrada de capital estrangeiro
num setor até agora fechado e que ainda enfrentará,
proximamente, a difícil decisão pelo futuro
padrão de televisão digital no país.
O que é padrão?
Os chamados reality shows estão gerando polêmica
e críticas quanto ao baixo padrão de conteúdo
da programação televisiva. O Big Brother Brasil
teve 60 pontos de audiência no último dia, maior
que a transmissão da final da Copa do Mundo com a presença
da seleção canarinho. Se de um lado podemos
dizer que o interesse de cada pessoa está em linha
com o tipo de informação e emoção
que consome, as emissoras nada mais fazem do que explorar
adequadamente seus negócios. Por outro lado, quem diz
que a televisão não tem programas culturais-educativos,
já verificou a programação da TVE e TV
Cultura?
Perguntar não ofende!
No Rio de Janeiro, os jornais gastaram muita tinta e papel
com o caso do motorista do BMW que dirigia em área
urbana a 187 km/h. Depois de pesquisar quem era o responsável,
descobriram que o carro tinha 36 infrações,
os documentos estavam em nome do proprietário anterior
e o total de pontos acumulados chegou a 357. Um festival de
irregularidades que o Detran e a Justiça precisariam
punir exemplarmente. Mas não seria o caso de demitir
as gerências do Departamento, incompetentes para localizar
motoristas faltosos já nos primeiros casos? Até
quando seremos o país do "jeitinho"?
Transgênicos
again
No dia do Consumidor, mais uma lista de alimentos contendo
transgênicos foi divulgada pelo Greenpeace. O interessante
é que a Nestlé, Knorr e Kraft Foods, fabricantes
acusados nessa relação, não são
primários. Mais curioso ainda é que eles não
modificam geneticamente seus produtos consumidos na Europa
e estão desrespeitando uma legislação
brasileira sobre o assunto. Por onde andarão as autoridades
de vigilância sanitária que não acompanham
a irregularidade de perto? Ou será que o poder de fogo
da multinacional Monsanto (e sua soja transgênica) inibe
qualquer ação de controle?
Marketing Rural
Em meio a tantos problemas, alguns novos e outros nem tanto,
o agricultor brasileiro vai aplicando tecnologia no seu cotidiano.
Segundo a Associação Brasileira de Marketing
Rural, o agribusiness representa perto de 25% do PIB brasileiro.
E para desenvolver seus negócios, a informática
tem presença obrigatória na vida dos grandes
empresários do setor. Mais que isso, cerca de 12% já
utilizam a internet como meio de aumentar sua produtividade
e resultados. Para quem tem interesses nesse segmento, vale
a pena contatar a associação (www.abmr.com.br)
e conhecer as pesquisas sobre o perfil do agricultor brasileiro.
Informação valiosa
Resultado de uma parceria bem sucedida entre o portal
Acionista (www.acionista.com.br)
e o CFI Group, foi implantado no Brasil um índice de
satisfação dos clientes como ferramenta para
acompanhar o desempenho das empresas da Bovespa. A metodologia
se baseia num índice criado pelo professor e consultor
americano Claes Fornell e, nos Estados Unidos, é conhecido
como American Costumer Satisfaction Index. Criado em 1999,
ele monitora a satisfação dos clientes e consumidores
americanos quanto aos produtos das empresas o que acaba gerando,
certamente, um valor agregado às marcas de melhor avaliação.
Quanto às outras...
6. Elogiando
Vou fugir do protocolo e fazer uma homenagem a alguém
que partiu, recentemente, e foi levar sua alegria e criatividade
para outros planos. Fica a saudade do querido Sargentelli,
com quem dividi muitas vezes o microfone da Rádio Manchete.
Ele teve a visão e a capacidade empresarial de transformar
a mulata num produto de sucesso internacional. Deu embalagem
especial, função e adereços, linguagem
musical e cumpriu todos os quesitos típicos de marketing.
Agora, o ziriguidum continua em outro lugar, principalmente
após ele reencontrar sua eterna musa Clara Nunes.
7.
Não deixe de visitar
Se você está querendo participar de uma aproximação
entre empreendedores e investidores, ou mesmo repensar seu
negócio, a internet tem boas alternativas de apoio
que merecem ser avaliadas. Ainda mais, há alguns sites
que ajudam o interessado a montar um plano de negócio
ou analisar um projeto em andamento. Caso essa idéia
tenha lhe agradado, faça um passeio pelo www.itcventures.com
ou www.nxxy.com.br,
sendo que esta última indicação é
voltada para negócios de tecnologias.
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