Conjuntura
Econômica
- Julho de 2002
1.
Opinião
Como citamos em nota, na edição do mês
passado, o Governo Federal liderou uma missão empresarial
para contatos com empresas escandinavas. O grupo, composto
por cerca de 35 empresários, teve a possibilidade de
identificar novos nichos comerciais para exportação
de produtos e serviços, bem como conhecer organizações
interessadas em investir no Brasil.
Antes que alguém imagine piadas a respeito, ligadas
a mordomias ou lazer às custas do erário público,
cada empresário pagou suas despesas, tendo ficado o
Itamarati responsável por agendar os encontros na Noruega,
Suécia, Finlândia e Dinamarca. Para dar o tom
oficial à missão, mostrando o real interesse
do Brasil no estreitamento dessas relações comerciais,
a liderança dos trabalhos coube ao vice-presidente
Marco Maciel e ao embaixador Mario Vilalva.
Na realidade, parte da missão foi subdividida em dois
grupos, sendo um deles especificamente ligado ao setor de
petróleo e gás. Como se sabe, a Noruega é
um país que enriqueceu sobremaneira após as
descobertas de petróleo no Mar do Norte, mantendo saldo
anual no balanço de pagamentos, em média, de
US$ 4 bi. Hoje, conta com um capital de dezenas de bilhões
de dólares para investir em oportunidades no exterior.
Apesar da magnitude da economia escandinava, as relações
comerciais com o Brasil podem ser vistas como tímidas,
com um enorme potencial de crescimento. E, da mesma forma
que já realizado em relação a outros
nichos de mercado, foi isso que motivou a criação
dessa nova missão empresarial.
Um fato relevante a ser registrado é que, sem exceção,
em todos os contatos com quase 40 empresas houve uma preocupação
delas em mostrar como os seus projetos e/ou as atividades
industriais respeitam e preservam o meio-ambiente, a saúde
e a segurança. Se adotarmos isso como uma tendência,
no médio prazo vão morrer as empresas que pouca
atenção dão a esses quesitos.
E para os brasileiros moderninhos, que fazem questão
de estar no topo da onda em tudo, uma informação
para reflexão. Esses contatos envolveram as principais
e maiores empresas nórdicas e, quase que na totalidade,
em suas apresentações os presidentes e/ou vice-presidentes
usaram transparências de alta qualidade para falar de
seus negócios. Ora, por que não um data-show?
Para eles a apresentação se torna mais objetiva,
rápida e sem riscos de falhas por problemas de tecnologia!
Podem acreditar que é verdade!
Fica então um conselho aos empresários brasileiros,
pequenos e médios inclusive, para que acompanhem as
futuras programações do Itamarati e descubram
oportunidades até agora não identificadas. Vocês
não vão se arrepender...
2.
Dois em um
Eis dois quesitos de Gian Luigi Longinotti-Buitoni sobre o
dreamketing, que alguns já apelidaram de sonharketing,
para reflexão:
"O sucesso do negócio depende de interpretar e
materializar os desejos mais profundos dos clientes";
"Os sonhos dos clientes não são objetos
específicos, mas estados de espírito inspirados
e despertados por produtos e serviços".
3.
Frase do mês
"Não seria bom, pelo menos uma vez, a administração
Bush opor-se aos interesses de uma elite privilegiada?",
frase de Paul Krugman a respeito da necessidade de implementar
novos padrões contábeis na economia americana.
4.
Mundo da publicidade
Cada vez mais, o marketing tem estado presente na viabilização
de atividades sociais do chamado Terceiro Setor. Tendo por
base o telefone, mala-direta, anúncios e apoios pela
mídia impressa e eletrônica, internet ou mesmo
através de promoções especiais, muitas
entidades têm alcançado bons resultados na captação
de recursos para suas obras e projetos. Inclusive, ele também
envolve a criação de marcas e permite resultados
no curto prazo!
5.
Pílulas e Notas
Lembram
dela?
No mês passado, fizemos comentários sobre essa
onda desvairada que apelidaram de risco-Lula. Condenamos a
irresponsabilidade ou má-fé das agências
e o "Maria-vai-com-as-outras" dos que embarcam nessa
crise armada. Pois saibam que a Merril Lynch, uma das tais
agências, foi multada em US$ 100 milhões pela
Justiça americana por ter recomendado a clientes a
compra de títulos que, internamente, eram avaliados
negativamente. E para evitar novos processos fez um belo acordo.
Isso não se parece com a manipulação
de dados do caso Andersen e o escândalo da Enron?
Acionista minoritário sofre!
Que o Banco do Brasil, através de sua distribuidora
de títulos e valores mobiliários, resolva alterar
o regulamento do fundo BB FIX Empresarial, tudo bem. Está
no direito dos administradores. Mas é um absurdo enviar
a carta de convocação dos acionistas minoritários
datada de 15/4/02, para uma reunião em 29/4/02, sendo
postada em 24/4/02 (27 e 28/4 caíram em final de semana).
Depois, os executivos financeiros reclamam quando a classe
média desacredita em investir suas economias em papéis
que os bancos apresentam através de ricos folhetos
e catálogos!
Restolhos da tecnologia
Num artigo da revista Banas Ambiental, é dado um alerta
de que a sociedade moderna está convivendo com um problema
que merece atenção das autoridades e das empresas.
Afinal, para onde vai o restolho dos aparelhos eletroeletrônicos,
que se tornam obsoletos e são sumariamente descartados?
Muitos deles têm, em sua composição, elementos
químicos nocivos à saúde. E, no Brasil,
em média, 50% desse lixo é jogado em terrenos
sem qualquer tratamento, inclusive poluindo sistemas hídricos.
E o que é pior, não se vê investimentos
de apoio à reciclagem desses materiais. Portanto, alerta
geral!
Depoimento
Agradecemos a atenção do leitor Ricardo Hinrichsen,
que encaminhou um trabalho a respeito da oferta de crédito
para pequenas e médias empresas, motivado pelos nossos
comentários na coluna de Maio último. Segundo
ele, que chefiou um amplo estudo contratado para o Sebrae,
o número de incubadoras tem crescido, mas o resultado
prático e a produção de patentes ainda
são muito baixos. O conhecimento está ficando
circunscrito ao ambiente acadêmico e aos centros de
pesquisas. A solução estaria em aumentar a oferta
de capital de risco pelo governo e grandes empresas.
Brazil News
Muito boa a publicação Brazil News, distribuída
pelo Itamaraty durante a missão empresarial à
Escandinávia. De forma resumida, com gráficos
atualizados e impressão de excelente qualidade, aborda
a realidade econômica com projeções que
podem ajudar os empresários quando em contatos de negócios
no exterior. Mais do que isso, para os que irão fazer
apresentações e pretendem incluir informações
sobre indicadores macroeconômicos, comércio exterior,
produção industrial e agrícola, ou ainda
dados de consumo em geral, é uma fonte que pode ser
útil. Vale a dica!
A América Latina sumiu!
Uma tendência interessante, ao se produzir um mapa-mundi,
é dar destaque específico a um país ou
região, no centro da ilustração. Há
cinco anos atrás, por iniciativa do empresário
Paulo Protásio e com o apoio da Petrobras, pela primeira
vez foi criado um mapa tendo o Brasil no centro do mundo,
dando uma nova perspectiva geográfica. E a empresa
aérea SAS, em sua revista de bordo, seguiu esse caminho
para apontar suas rotas internacionais. Só que para
nossa surpresa, o mapa "sumiu" com a América
Latina. Apenas diz que os vôos para o Rio de Janeiro
e São Paulo não aparecem. Pode um descaso desses?
6. Elogiando
O elogio deste mês vai para o Ministério
das Relações Exteriores, que vem implementando
uma nova política de inteligência comercial na
prospecção de oportunidades de negócios
para empresas brasileiras. Pela identificação
e combate a barreiras tarifárias, bem como a aproximação
com novos mercados, existe uma modernização
evidente no modelo de promoção comercial de
nossos produtos e serviços. O que, por tabela, fortalece
nossa imagem também.
7.
Não deixe de visitar
O site do BrazilTradeNet é voltado à divulgação
de informações sobre comércio exterior,
possibilidades de captação de investimentos
e apoio à incorporação de mais empresas
nacionais ao processo exportador. O endereço é
www.braziltradenet.com.
Da mesma forma, sugerimos que os empresários visitem
o www.investebrasil.org.br.
Ele é um canal de contato com a Investe Brasil, organização
sem fins lucrativos que promove a aproximação
entre empresas do Brasil e do exterior, alavancando novos
negócios.
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