Conjuntura Econômica - Agosto de 2002

1. Opinião

As matérias publicadas nesta coluna, na última edição da Conjuntura Econômica, sinalizaram para um problema que, sabíamos, iria estourar em breve: as fraudes contábeis de grandes empresas americanas. A frase que serviu a esse propósito é do economista Paul Krugman, criticando a falta de determinação do presidente Bush, que hoje está sofrendo acusações de se beneficiar de empréstimos irregulares da Harken Energy.

Para quem não se lembra, fomos dos primeiros a comentar sobre a fraude e a falência da gigante Enron. E agora, essa onda associada ao crime contábil torna-se outro acontecimento interessante, menos para os investidores americanos e mais para os analistas. Com destaque para os mais ácidos e contundentes. Principalmente os brasileiros!

Eis a pergunta que não quer calar: será que "aquelas sábias agências" (uma delas criou dificuldades para honrar a recompra de títulos) vão orientar sobre algum nível de risco para quem quer aplicar dinheiro na Bolsa de Nova York? O que um país que tem esses escândalos incríveis, como os que temos acompanhado com algumas das maiores corporações do mundo, pode nos ensinar a respeito de confiabilidade e garantias?

E como se não bastassem os problemas da Xerox (refez dois relatórios com correções de informações, em duas semanas), da Starmedia Networks, da Bristol Myers Squibb e da WorldComm, entre outros, eis que também o vice-presidente americano é envolvido em problemas em uma empresa de petróleo.

Vale também lembrar, há um elemento comum em parte desses casos, que é a presença da mesma empresa de auditoria, a Andersen, que teria validado os números fajutos. É a mesma que assinou como correta a contabilidade da Enron e, depois, ainda ajudou a sumir com as provas do crime.

Em resumo, o mundo mostra-se surpreso com tamanha desfaçatez e fragilidade da considerada maior economia do mundo. Os investidores americanos, por seu lado, perderam a confiança num sistema antes tido como perfeito, cujas perdas totais já chegam a bilhões e bilhões de dólares.

No Brasil, estamos valorizando conquistas no esporte e nos resultados das grandes empresas brasileiras. Um exemplo é esta publicação especial da FGV, sobre as maiores SA. Isso significa, em outras palavras, pujança, desenvolvimento e um país que caminha para frente, ainda que com dificuldades. De vantagem, contamos com uma sociedade cada vez mais atenta aos valores públicos. E repetindo uma frase que li, somos tão honestos na demonstração de nossos números que até parecemos inocentes.

O Brasil, em passado recente, deu um grande e fundamental exemplo, cassando um presidente, senadores e deputados que cometeram falcatruas contra seu povo. Será que nos States o mesmo vai acontecer com os mega-executivos e políticos que deram um golpe no mundo?

2. Dois em um

O mestre especialista Lester Wunderman, em Cannes, preconizando dois caminhos ou tendências bem próximos de nossos dias:

"O futuro sucesso empresarial não estará nem no marketing e nem na propaganda clássicos, mas nos mecanismos de fidelização e de relacionamento com os clientes";

"Cada vez mais, deve ficar claro que é apenas no longo prazo que o conjunto formado por clientes, marcas, empresas, produtos e serviços será efetivamente rentável".

3. Frase do mês

"A imaginação é mais importante que o conhecimento", frase de Albert Einstein que, sem saber, reforça princípios da formação de atributos de marcas.

4. Mundo da publicidade

Corre o mundo a peça publicitária da Pfizer (leia-se Viagra), com o Pelé adentrando o gramado e vestiários do Maracanã, lembrando vitórias e derrotas, atestando que os atletas não expunham problemas de impotência aos colegas, e sugerindo que se tome rapidamente uma atitude, caso dificuldades de ereção existam. E na Escandinávia, o nosso Rei faz seu depoimento em um belo sueco: Det skulle jag göra. Apesar das turbulências em sua vida pessoal, Pelé realmente continua sendo nossa marca mais conhecida!

5. Pílulas e Notas

Mídia Celular

Parece que as operadoras em todo o mundo estão vendo, no visor do aparelho celular, uma grande oportunidade de faturamento. Mas não será pela simples operação telefônica, e sim pela viabilização de um novo canal de mídia. Após dois anos de testes na Europa, essa tendência começa a tomar forma e se espalhar pelo mundo. Receber mensagens pessoais ficou corriqueiro e o novo passo é ter informações sobre produtos e serviços, propaganda pura! Lá fora a receptividade foi excepcional, mas como reagirá o consumidor brasileiro?

Pirataria!

Você sabe quanto o país perde por ano, por conta da pirataria e contrabando? Os números são de estudos do Sistema CNI: R$ 9,6 bilhões, em arrecadação de impostos e tributos, além de 1,5 milhão de empregos que deixam de ser criados. Para quem associa a pirataria somente a CD ou vídeos, vale saber que o problema é bem mais amplo. Só em 2001, foram apreendidos mais de 1,5 milhão de brinquedos falsificados. No setor de vestuário, os indicadores também são alarmantes. Até sinal de satélite é pirateado...

Campanha contra a pirataria?!

Recentemente, entidades ligadas à área publicitária desenvolveram campanha nacional, unindo veículos, agências, órgãos de classe e anunciantes, mostrando a importância de se valorizar as marcas institucionais, de produtos e serviços. Então, porque não fazer a mesma coisa, em escala nacional, contra a pirataria? Os empresários de vários setores reclamam do imobilismo no combate a essa praga, mas é hora de tentar conscientizar a sociedade e enfrentar o problema. Quero lembrar que, regionalmente, isso foi feito com muito sucesso no Rio Grande do Sul!

O gás e a indústria

O Brasil está passando por um momento singular. Por um lado, as indústrias reclamam dos custos de energia, o que encarece o processo produtivo. Por outro, a demanda do gás na matriz energética não tem crescido como se esperava, o que leva parte dele a ser queimada. E apesar de não envolver nenhuma grande complicação, tem empresário que não consegue fazer o cálculo do custo-benefício para a conversão no uso do gás. Sugiro contratar um consultor especializado nisso e aproveitar essa onda agora! Antes que mude esse equilíbrio de oferta e demanda...

O que acha disto?

Em sondagem recente com conselheiros do IEDI - Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial, os resultados não foram muito animadores no que diz respeito à capacidade brasileira de competir na Alca. A conclusão é de que para o país ter chances de competição, deve reduzir o custo do capital e ampliar o volume de crédito. Atualmente, as grandes empresas conseguem resolver seus problemas pela escala em que atuam nos processos tecnológicos, gerenciais e de produtividade. Mas as médias e pequenas empresas continuam, em geral, ainda muito frágeis e dependentes de processos já ultrapassados.

6. Elogiando

Carlito Maia e Raimar Richers foram notáveis na forma e no conteúdo com que marcaram suas vidas. Infelizmente, ambos faleceram em Junho, mas deixaram um enorme legado em idéias e criações no marketing e na publicidade. E vale se inspirar em Rafael Sampaio, e em sua revista About: lá no Céu, os dois devem estar virando tudo de pernas para o ar, com muito inconformismo, criatividade e subversão dos paradigmas vigentes...

7. Não deixe de visitar

Em março deste ano, foi lançado o Portal do Consumidor, que pretende ser um site para informar e formar os consumidores brasileiros quanto ao melhor uso de seu poder de compra. Fruto de uma parceria entre entidades civis e órgãos públicos, ele certamente pode contribuir com uma melhoria na qualidade geral dos produtos e serviços, bem como no fortalecimento dos princípios gerais de cidadania. Fica o recado para conferirem www.portaldoconsumidor.gov.br!

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