Conjuntura Econômica - Outubro de 2001

1. Opinião

Há vários anos atrás, eu representei uma entidade brasileira num evento internacional, em Avignon, a famosa cidade francesa que foi sede da Igreja Católica na Idade Média. Inclusive, eu era membro de um dos comitês organizadores do encontro, no Castelo dos Papas, em seu salão principal com mais de 1.200 metros quadrados.

No jantar de abertura, muita tensão. Dias antes, terroristas haviam explodido algumas bombas em cidades européias. Os culpados dividiam-se entre grupos separatistas europeus bem conhecidos e outros de origem muçulmana. Passado o momento de lamentar os mortos e feridos, a vida seguia em frente. Longe dali, o mundo também se acostumou a ver outros atos de selvageria em Sierra Leoa, Nigéria, Haiti, Angola e demais países pobres abandonados à própria sorte.

Naquela festa magnífica, com embaixadores estrangeiros e representantes do governo francês, as autoridades ficaram circunscritas a uma área longe da entrada principal. No salão, cerca de 800 convidados espalhados e, entre eles, alguns homens muito circunspectos mantinham-se atentos, com olhar fixo em todos os presentes. Aliás, haviam sido apresentados, horas antes, aos que iriam trabalhar nos serviços de jantar e entretenimento.

No encerramento, houve a troca dos seguranças, ficando liberados os que já estavam no ambiente. As autoridades foram embora e, enfim, aqueles homens mal-encarados iriam poder, pelo menos, beber vinho nacional e comer do queijo Camembert, fartamente servido. Foi quando quis conversar com o francês que ficara de plantão na mesma mesa em que eu estava, e onde ele permanecera absolutamente calado.

Nesse momento, a primeira reação dele foi afrouxar a gravata, desabotoar o paletó e abrir um enorme sorriso. Claro, além de estar visivelmente armado, perguntou sobre Pelé, Carnaval e nossas mulheres bonitas. A conversa continuou com nós dois indo até a cozinha, para uma outra taça de vinho. Experiência muito peculiar foi, então, poder buscar respostas para a curiosidade de um brasileiro que não vive o terrorismo de perto.

Aquele homem, com mulher e três filhos pequenos, já tinha se acostumado à rotina do terrorismo em sua vida. A ponto de se despedir diariamente da família, sem a menor idéia de quando (e se) voltaria a vê-la. Uma pessoa gentil, cordial, alegre e comum. Pronto para matar ou morrer, com idêntica dose de facilidade, assim como fazem aqueles que ele se acostumou a combater.

Despedimo-nos e mantivemos contato durante algum tempo, e não sei o que aconteceu depois com ele. Se matou mais gente ou se morreu. Mas eu imaginava que a insensatez humana do terrorismo continuasse localizada em alvos nítidos. Afinal, no Brasil, o terror que vivemos é aquele típico da violência urbana, como também ocorre no resto do mundo.

Infelizmente, o jogo econômico tem regras próprias que orientam uma agenda internacional e não combate claramente as pragas da violência, drogas e contrabando. E nem do terrorismo internacional, que dá legitimidade ao comércio de armas. Com certa hipocrisia, o mundo rico faz vistas grossas a tudo isso, a não ser que interesses superiores e globais sejam ameaçados. Agora, trata-se da questão como se uma ação bélica resolvesse, parte-se para enfrentar um problema que ficou fora de controle.

É perigoso dizer que o mundo nunca mais será o mesmo, pois a humanidade já conheceu outros impérios. Como tudo na vida, tiveram apogeu e declínio. A minha esperança é a de que o ser humano mude a forma tão banal de ver a morte, inclusive a própria, na defesa fanática de posições políticas, religiosas ou ideológicas. Que a manipulação perversa da Natureza, incluindo armas biológicas letais, não traga a destruição do final dos tempos.

Vamos imaginar que o poder divino dado a Nostradamus tenha sido o de avisar que o fim do mundo seria virtual, ou seja, a partir de agora estamos todos os humanos ainda mais comprometidos com o entendimento e a vida. Afinal, pregar democracia é administrar diversidades e diferenças, de qualquer ordem.

2. Dois em um

Mohandas Gandhi era mestre do discurso violento, mas os atos pacifistas eram sua grande arma. Mahatma (Grande Alma) buscou conhecer a forma de ser e pensar do Ocidente, para certeiramente denunciar atrocidades. São dele:

"Onde há injustiça é preciso haver luta. A questão é lutar para que as coisas mudem e não para punir alguém";

"Estou preparado para lutar pela liberdade, mas não há causa pela qual eu esteja pronto para matar um ser humano".

3. Frase do mês

"As gerações futuras não acreditarão que alguém assim tenha existido e caminhado na face da Terra".
Albert Einstein, sobre o comportamento conciliador de Mohandas Gandhi.

4. Pílulas e Notas

Paz e água...

Este alerta vale para darmos atenção ao problema crescente da falta de água potável. No Brasil, isso já é crônico em algumas áreas de seca. Se já não bastassem as mazelas da violência e do terror, vemos a poluição afetar esse bem maior. A quantidade de água de 2.000 anos atrás era praticamente a mesma da de hoje, e a população na época era inferior a 3% da atual. O pior é que a demanda mundial dobra a cada 20 anos, num planeta em que apenas 1% de toda a água está em rios, lagos e reservatórios subterrâneos.

Mais imposto?

O mercado publicitário recebeu uma notícia nada agradável. No apagar das luzes, o governo publicou mais uma Medida Provisória, a de nº 2.219. Ela cria a Agência Nacional de Cinema e, como forma de financiamento, estipula taxas e impostos sobre a produção de comerciais para a televisão, inclusive aqueles importados e adaptados. Essa contribuição, com o nome de Condecine, certamente vai cair na conta do anunciante.

Mercado fotográfico...

Num país com tanto potencial para ser registrado, seja pela Natureza privilegiada, diferenças regionais, pessoas bonitas, fatos políticos, esportivos ou sociais, há quatro anos o mercado fotográfico se mantém estagnado no Brasil. No patamar de US$ 1, 6 bilhões, 75% está concentrado nas regiões Sul e Sudeste. Para termos uma idéia de como se registra pouco a nossa história, basta dizer que no Brasil consome-se metade de rolos de filmes que na Inglaterra. Na China, consome-se quatro vezes mais por habitante do que por estas bandas. Como explicar?

Porque não?

É muito comum elogiar-se empresas por atingirem resultados positivos, inclusive geradores de premiações prestigiadas. E porque não fazer o mesmo quando se trata de organizações nem sempre badaladas? Pois o Hospital Nossa Senhora de Lourdes foi contemplado com o Top de RH, promovido pela ADVB - Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil, presidida pelo amigo Miguel Ignatios. Mais capacitação das equipes médicas e de apoio dando como resultado melhor atendimento a todos os pacientes. Parabéns a todos!

Cariocas ganham concurso

Dois alunos da FGV, do Rio de Janeiro, venceram o Desafio Universitário Visa, voltado a identificar os melhores planos de negócios de comércio eletrônico. Aleksander Silva e Diogo Vasconcelos criaram um ambiente de negócios integrando instituições de ensino e os fornecedores, e deram o nome de Escola-Mãe. Claro, os parabéns pelo sucesso do projeto vão também para o coordenador André Valle. O interessante é que toda a ação de divulgação planejada é concentrada na própria internet, sem outras alternativas de mídia.

O E-mail marketing

Mais um apelido conjuntural dado ao marketing! A expressão acima está sendo adotada para o esforço de distribuição de mensagens comerciais pela internet. Segundo a Abemd - Associação Brasileira de Marketing Direto, essa é uma prática que está crescendo muito no Brasil, a exemplo de países mais desenvolvidos. Como referência, uma pesquisa recente estima que, apenas neste ano e no mercado americano, serão enviados 61 bilhões de mensagens, movimentando cerca de US$ 4, 5 bilhões. Nada desprezível, não é mesmo?

5. Elogiando

O amigo Jens Olesen, presidente da agência McCann-Erickson, há anos toma iniciativas de desenvolver campanhas de cunho social, a exemplo da mais recente, centrada no tema Pense Positivo - Xô Urucubaca. Por essa razão, elogiamos a face "cidadã" da empresa, com destaque à liderança desse brilhante dinamarquês que fez do Brasil sua terra. Amor que, certamente, será fortalecido pelas amargas lembranças de quem, como ele, viveu bem de perto a loucura do ataque terrorista em Nova York.

6. Não deixe de visitar

Para quem gosta de ler artigos sobre as mais modernas tendências do marketing, entre em www.reveries.com. O leitor poderá escolher temas específicos ou pesquisar por autores. Criado há 5 anos, tem sido uma boa referência para estudos acadêmicos ou de apoio a processos decisórios. Mas, se apesar de tudo, o interesse é conseguir dados e informações, então o melhor é www.marketingsource.com. Vale também a combinação dos dois, ok?

<< voltar - | - imprimir