Conjuntura Econômica - Outubro de 2002

1. Opinião

Por razões profissionais e pessoais, passamos quase que todo o mês de Setembro fora do país, viajando entre a Itália, a Grécia e a Turquia. Na volta, ao escrevermos este artigo, ainda não havia uma definição nítida quanto ao processo eleitoral, e decidimos aproveitar para mandar mais este recado aos candidatos e aos mandatários que já estão eleitos.

Anteriormente, afirmamos: vai assinar o livro de posse quem melhor convencer o eleitor quanto à capacidade de resolver a equação que tem variáveis como segurança pessoal e patrimonial, tradição e valores sociais e, não menos importante, defesa das riquezas nacionais. E, neste quesito, apontamos os riscos que a Alca significa aos pequenos e médios empresários.

O nosso recado fica agora estimulado por tudo o que pudemos ver de despreparo, altos custos, mal atendimento e belezas discutíveis por onde passamos naqueles países citados. E reforçado por experiências anteriores em outros tantos locais, nos cinco continentes. Para se ter uma idéia, ouvimos de um grego, profissional de turismo: "Seu país é muito melhor e mais bonito que a Grécia. O que veio fazer aqui?".

Será que, um dia, vamos organizar nossa agenda para explorar o turismo como um negócio? Será que conseguiremos fazer dele uma forma sustentável de trazer divisas para o país? É difícil aceitar toda a nossa dificuldade em transformar o turismo numa alternativa rápida de geração de empregos e riquezas, uma vez que o Brasil tem amplas possibilidades para ser destino com finalidade empresarial, ecológica, gastronômica, de lazer ou histórica.

E aí vem à lembrança quando, numa roda em que estavam pessoas de várias partes do mundo, duas espanholas nos disseram: "Adoramos o Brasil, principalmente Salvador e Recife, mas sofremos muito com a sensação de insegurança e com a pobreza nas ruas, ainda mais pelas crianças abandonadas". Tese reforçada por um francês e um casal de portugueses.
Recente estudo da International Telecommunication Union, a que tivemos acesso, documentou o nível de 177 países na capacidade de incorporar a evolução da convergência de tecnologias como a internet e a telefonia móvel. Infelizmente, o Brasil está com suas avaliações bem comprometidas nesse sentido, conforme os dados divulgados.

Ninguém reclamava dos preços, até porque com a implantação do Euro nós estamos numa posição privilegiada como destino turístico barato. Nosso problema é de imagem, calcada numa realidade triste, e reforçada pela maneira como é feita a cobertura editorial do Brasil, em grandes jornais. Sob a complacência do Itamaraty e de nossos órgãos oficiais de turismo, bem como pelas autoridades que deveriam modificar esse status quo.

Um artigo do Herald Tribune, de 23/9/02, mostrou como as autoridades brasileiras perderam a guerra para os traficantes, liderados por Fernandinho Beira-Mar, que aparece sorridente na foto. Esse dado é "econômico" e merece atenção, mas se repete cotidianamente sem um planejamento efetivo dos governantes quanto à criação de um antídoto.

O recado aos futuros governantes é de que há muito a explorar no campo do turismo, tese aceita sem contestação, mas não basta querer mexer apenas com imagem e publicidade, primeiro é fundamental haver um dever de casa bem feito.

2. Dois em um

Um brilhante profissional brasileiro em marketing e comunicação, Emmanuel Publio Dias, assim resumiu dois conceitos bem atuais:

"O que antes se chamava de defesa do consumidor hoje são as exigências da cidadania";

"Com a expectativa de que as empresas sejam socialmente responsáveis estamos exigindo delas uma postura política em relação aos seus relacionamentos".

3. Frase do mês

"As empresas mais amadas são também as mais lucrativas", frase de um artigo técnico de Alexandre Gracioso, em que a responsabilidade social das empresas aparece como tema fundamental.

4. Mundo da publicidade

A imagem positiva (e desmerecida) de alguns destinos turísticos europeus é incontestável. Particularmente, a Grécia é uma marca expressiva, mas apresenta um nível de qualidade de serviços e atendimento muito deficiente. Nas imagens ao lado vemos como são tratadas as bagagens dos turistas, nos embarques e desembarques em algumas das ilhas, e a falta total de segurança nos barcos e lanchas. Será que para a Olimpíada 2004 esse quadro mudará?

5. Pílulas e Notas

Marca internacional

Um belo exemplo para os estudiosos de processos de marcas para produtos e serviços internacionais é o adotado em relação à nossa conhecida Kibon. Após ter sido adquirida, a marca da empresa passou por um estudo e o símbolo global escolhido foi o de um coração estilizado nas cores amarela e vermelha, acompanhado do logotipo específico em uma fonte bem definida. Pois saiba, como curiosidade, que Algida é a forma aplicada no mercado italiano, enquanto na Espanha é usado o termo Frigo.

Parceria inédita

Numa solução inédita para o mercado de recrutamento profissional, foi criado um processo especializado em energia, petróleo e gás, chamado de Smartjob (www.smartjob.com.br). Reunindo a experiência de mais de 40 anos da Gelre em administração de recursos humanos, incluindo a operação virtual pela internet, com a Smartpetro e o Grupo Expetro, a expectativa é de que essa iniciativa contribua com o adequado e rápido atendimento à esperada demanda de técnicos e gerentes especializados, projetada para os próximos anos.

Os sonhos dos...

Em recente pesquisa feita junto a presidentes de empresas, por solicitação da Associação Brasileira de Recursos Humanos, buscou-se conhecer um pouco mais sobre os sonhos e frustrações que esses líderes carregam em seus corações e mentes. Pois a conclusão interessante é que há dois fenômenos em destaque: o desejo de compartilhar conhecimento e o de criar resultados coletivamente. As respostas significam, sem dúvida, uma crescente preocupação com o meio social e o desenvolvimento sustentável do país.

Presidentes de empresas!

E quando perguntados sobre quais os obstáculos para realizar esses desejos, surge uma resposta majoritária: a pressão do dia-a-dia e a falta de pessoas engajadas num sonho comum. Isso traduz a necessidade de uma visão participativa na superação dos problemas nacionais, e é fortalecida pela resposta a quais são os pesadelos dos presidentes empresariais: 80% apontaram os problemas políticos e sociais à sua volta. Como vemos, as pessoas jurídicas passaram a viver o mesmo estresse que as pessoas físicas, ou seja, a falta de segurança!

TV Comunitária

Dias atrás, em São Paulo, a TV Comunitária formada por escolas e universidades paulistas apresentou um maravilhoso e comovente programa liderado pelo jornalista Flavio Prado, tendo por convidado especial o conjunto Demônios da Garoa, contando e cantando a vida de Adoniran Barbosa. Para aqueles que vivem dizendo que a TV aberta tem um lixo de programação, sugiro aproximar-se dessas emissoras alternativas e contribuir com idéias e apoio, como for possível. No Rio de Janeiro, em particular, desejamos sucesso à nova direção da TV Comunitária, a ser presidida pelo engenheiro Sidney Granja.

6. Elogiando

Meus parabéns ao Ministro Paulo Renato que, em 7/9, e apesar de contar com privilégios diplomáticos, ficou por mais de uma hora na fila formada por centenas de brasileiros que aguardavam a fiscalização de passaportes pelas autoridades, em Milão. Sentiu na pele aquela bagunça e descortesia oficial italiana, o quanto sofre o cidadão comum em alguns países do exterior, e manteve-se impávido e elegante o tempo todo.

7. Não deixe de visitar

Já dissemos, anteriormente, que a previsão para as pequenas e médias empresas não é nada boa se forem implantadas as medidas previstas para a Alca. A Fiesp prevê a perda anual de US$ 1 bilhão no comércio exterior. Mas não adianta ficar amargurado com isso e, na busca de se adequar ao mercado, o empresário interessado pode pesquisar mais sobre o Progex - Programa de Apoio Tecnológico à Exportação (www.ipt.br/servicos/progex) e o Prumo - Projeto de Unidades Móveis (www.ipt.br/servicos/prumo).

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