A geléia geral de idiotices!

Para alguns, este texto vai parecer uma filosofia sem sentido num espaço dedicado ao Marketing. Espero que eles sejam em minoria. Afinal, a filosofia é fundamental a qualquer pessoa como estado de consciência, mas o artigo vai abordar paradoxos.

Como primeira regra, quero me abster de julgar. Apenas pretendo contrapor idéias e premissas que “mentes luminares” propagam sem uma avaliação adequada. Com isso, a sociedade se vê circundada por uma infindável geléia geral de idiotices.

Admito que este artigo vem um pouco atrasado. Mas sempre é tempo para se levantar bandeiras contra a falta de critérios. Pois bem, como quem não tem problemas mais importantes, o Procon acionou a Unilever e a AmBev por anúncios publicitários indevidos.

A alegação dada foi de que ambas estavam abusando de discriminação racial e conotação sexual. Para começar, se houvesse discriminação racial, os gerentes e criativos deveriam pegar cadeia sem direito a liberdade provisória. É a lei, não é uma questão publicitária!

Como quem não acompanha os nossos mais famosos programas de auditório ao vivo, com belas mulheres mostrando corpos bem nutridos de carne, ou mesmo quem não acompanha as cenas tórridas de sexo nas novelas em canal aberto, eis que o Procon acha que deve moralizar a publicidade. Talvez a questão seja focada no potencial de multa que poderia aplicar, na casa de alguns milhões de reais!

Como fazem todas as empresas grandes sérias, a Unilever e a AmBev também submeteram suas campanhas a pesquisas de grupo. Não foi detetado o desvio discriminatório que o Procon alega. Seria ofensiva uma peça publicitária na qual aparecem índios negros numa tribo africana? Não seria esse o arquétipo de um índio africano?

Então, não serão também discriminatórias as peças em que aparecem pessoas caracterizadas de qualquer coisa? Um japonês vestido com kimono, um chinês lutando kung-fu, um americano comendo num fast-food, um francês tomando vinho, um italiano imponente com a macarronada ou uma mulher escondendo o amante quando o marido chega em casa. São arquétipos que, na essência, nada de discriminatório têm.

A publicidade explora arquétipos, elementos dinâmicos que fazem parte do inconsciente coletivo. Se for levar por esse outro lado, como ficará quando um branco brasileiro for retratado numa sessão de umbanda ou dando um pequeno golpe na praça? Ou quando um português é associado a alguém que comete uma gafe? Isso não seria então uma grande discriminação a ser veementemente combatida segundo esse critério do Procom?

Mas vamos em frente. O outro caso foi até mais crítico. Nele, a atriz Bárbara Borges estava associada à linha de produção da cerveja Skol, quando muitos clones da mulher são produzidos. Alegando haver forte conotação sexual, a peça foi acionada pelo Procon. Bem, pelo menos eles concordaram que a atriz, muito bonita e atraente, caiu bem no papel de mulher-objeto. Mas e as outras peças publicitárias que exploram a mulher em clima de desejo, como em sedutoras roupas femininas, por exemplo?

Nos programas de televisão e nas novelas, enfim, o mesmo acontece. O que confirma ser o Brasil um país de paradoxos nas liberdades. Afinal, passaram despercebidas as peças em veiculação que mostram mulheres roubando calção de banho de um homem, outras desfilando lingerie e cenas mais picantes do que isso. Alí elas não são mulher-objeto? Pensando bem, acho que o Procon entrou em férias por conta da Copa do Mundo.

Pois quando a Skol trocou a passarela com a Bárbara Borges por um campo de futebol simulando um jogo Brasil contra a Argentina, com os rivais passando por bobos, isso não é discriminação? Ou em época de Copa do Mundo vale tudo?

Paradoxos morais e éticos assim é que geram tristes atrasos no desenvolvimento do país.

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