O
Marketing e a Cor
Um
exercício interessante é reler projeções
do futuro, principalmente as que foram feitas no passado.
E
foi numa dessas garimpagens que encontrei rico material de
um evento promovido pela ABMN, no qual uma das palestras foi
apresentada pela designer Angela Carvalho, abordando a questão
da cor. A palestrante, mais do que um pedido, deu o conselho
para que os profissionais de Marketing tivessem interesse
constante pelo assunto.
A
razão, que ainda hoje permanece extremamente válida,
é o Brasil ser um país rico de cultura popular,
onde a cor tem função relevante. Desde a pintura
ao artesanato, em qualquer arte ou linguagem de comunicação,
a cor transita por um caminho de aceitação natural
para as pessoas, com um agregado de informações
e de atributos criado ao longo dos anos.
A
partir de uma respeitada lista de trabalhos, a designer registrou
de que maneira a aplicação de determinadas cores
poderia alterar a percepção do consumidor para
produtos e serviços. De minha parte, considero poucos
os estudos divulgados a respeito da influência da cor
em projetos e, acredito, o maior tratado sobre o assunto seja
o do artista Israel Pedrosa, em seu livro "Da cor à
cor inexistente".
Essa
expressão semântica também foi comentada
na palestra, quando se lembrou que o Japão, país
da cor e da não-cor, desenvolveu uma variedade enorme
de tons de cinza. Por sua vez, a escala pantone já
tem outras concorrentes, principalmente nos grandes redutos
do Design. Na Alemanha, existe a tabela DIMM-Design, que tem
nuances de cores novas, elétricas e ácidas.
Tudo isso tem o objetivo de fazer as pessoas olharem a realidade
(e os produtos) com diferentes níveis de sensibilidade.
Seja
na moda, na higiene, na alimentação, nas artes,
no mobiliário doméstico ou profissional, nas
cores dos ambientes, nos produtos eletrodomésticos,
enfim, a cor está incorporada ao nosso cotidiano de
necessidades e deve ser analisada com a importância
devida. Afinal, nós somos humanos e o Marketing precisa
ter consideração com a fisiologia. E aí
se incluem a percepção visual e a influência
de valores que existe pela nossa vivência com as cores.
Também
foi lembrado, na palestra, que a tecnologia de materiais em
muito ampliou a possibilidade de aplicação de
cores. De um baquelite obrigatoriamente em preto, que depois
ganhou escalas em tons escuros, temos hoje diferentes pigmentos
e opções de aplicação industrial.
O marco final, em qualquer caso, está em gerar a atração
inicial no consumidor.
A
cor pode marcar posição, fortalecer laços
objetivos ou subjetivos, relembrar ou reafirmar valores e,
mais importante do que tudo, ela consegue transmitir informação.
É como um DNA que carrega, por gerações,
os atributos específicos de um produto, serviço
ou marca. E que nem sempre tem esse comprometimento por parte
de profissionais de Marketing.
Mas
sempre é tempo de se repensar e rever conceitos. Entre
eles, o de que podemos ganhar em competitividade ao conhecer
melhor a influência da cor nos projetos empresariais
lançados num mundo que, em si mesmo, é amplamente
visual.
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