A
conhecida preferência nacional!
Como
um consultor e também palestrante sobre temas afins
com o Marketing, a Comunicação e a famosa dobradinha
em que se constituem Mercado&Negócios, tenho a
obrigação de atualizar os exemplos que são
comentados para qualquer tipo de platéia.
Particularmente, sendo a gestão de marcas uma das questões
em que mais tenho me aplicado, a investigação
de fatos novos é, em si mesma, uma boa iniciativa até
para a minha própria reciclagem.
Mas o interessante é que, na velocidade com que o mundo
passa por mudanças no comportamento e nos valores das
pessoas, algumas situações são tão
surpreendentes, que fica a pergunta: aonde vamos parar? Será
que existe um horizonte previsível?
Há algum tempo atrás, uma empresa do Rio de
Janeiro desenvolveu uma mídia nova e exótica,
absolutamente irresistível até para o olhar
mais distraído de qualquer pessoa. Quanto mais em se
tratando de consumidores do sexo masculino!
A idéia, extremamente criativa, foi a de contratar
garotas maravilhosas para uma ação de divulgação
de um produto. Elas foram vestidas com uma blusa branca, tênis
e calças jeans, bem apertadas. Uma vestimenta que não
pode ser chamada de abusiva aos bons costumes, mas que evidenciava
a já apelidada "preferência nacional",
ou seja, o bum-bum de cada uma das meninas.
Num dos principais cruzamentos da cidade, em pleno horário
de pico no trânsito, elas se perfilaram de costas para
os motoristas parados no sinal (ou farol, ou sinaleira ou
equivalente, dependendo de quem esteja lendo este comentário)
e com o dedo indicador apontaram, estampada na bunda, uma
mensagem publicitária..
Quando mostro e comento esse caso, incluindo fotos da ação
que alguns apelidaram de bum-door, a platéia normalmente
cai em espalhafatosa risada, mas reconhece que a iniciativa
pode, efetivamente, ser bem sucedida. Mas, por outro lado,
as pessoas assumem que isso só se aplica em uma cidade
grande e de cultura mais liberal. E até pouco tempo
atrás eu concordava com a tese...
Pois eis que a Igreja Católica, numa ação
absolutamente desconcertante para os padrões e dogmas
por ela praticados, adotou esse mesmo princípio para
divulgar a revista Famiglia Cristiana, a publicação
cristã mais lida da Europa, com tiragem próxima
de um milhão de exemplares por semana.
Na peça de publicidade aparece o belo traseiro de uma
jovem. Ela está de costas, mãos na cintura e
vestindo um jeans bem apertado, em nada diferente das nossas
garotas brasileiras. Em destaque, a imagem parcial da capa
da revista, dobrada e enfiada no bolso de trás da calça.
Quer saber qual a chamada do anúncio? Pois bem, lá
vai: "Quem disse que a nova Família Cristã
é só casa e igreja?". Como podemos ver,
a bunda passou de preferência a uma referência,
até em nível internacional!
Para algo que existe desde que Adão caiu na tentação
de Eva, e que foi ganhando visibilidade crescente na publicidade,
hoje as bundas de mulheres e dos homens passaram a fazer parte
do processo criativo, cobrando-se apenas que a elegância
do comentário esteja presente.
E, mesmo nestes novos tempos, em que até o Vaticano
aceitou o desafio de aprovar uma campanha provocativa, ainda
encontramos pelas grandes empresas deste país vários
empresários e dirigentes que criticam os publicitários
por suas novas e arrojadas idéias. Mesmo que nem cheguem
a usar a bela anatomia humana como parte do conceito criativo...
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