Qualidade
na Comunicação
Os
profissionais de várias áreas de especialização
estão, num crescendo sem fim, convivendo com uma batalha
diária na arena em que se transformou o mercado. As
referências sempre são de que os vencedores serão
aqueles que melhor operarem conceitos de produtividade num
ambiente globalizado.
Gurus tentam sistematizar caminhos, fórmulas de rápido
entendimento e aplicação, para que os negócios
possam crescer. A busca é por tecnologias, melhorar
processos, otimizar custos e cortar desperdícios. Os
gestores estão preocupados com missão, estratégia
e oportunidades competitivas, bem como com os desdobramentos
dos processos.
São muitos os exemplos de empresas que conseguiram
se transformar em referenciais na qualidade e competitividade.
Xerox, a IBM e a Serasa, entre várias empresas privadas,
já conquistaram reconhecimento amplo, no empresariado
e junto aos clientes. Inmetro e Petrobras, esta alicerçada
em dezenas de certificações ISO, mostraram que
a área pública não ficou atrás.
Um ponto comum entre essas empresas líderes está
no investimento sistemático, com metodologia e planejamento,
para se atingir metas. Em suas várias dimensões
de prazo. Mas com um foco claro em resultados, não
num desgastante faz-de-conta. Sem exceção, todas
trabalharam em indicadores e em processos críticos
identificados.
Hoje, é natural uma grande empresa exigir de seus fornecedores
a certificação que comprova atenção
com requisitos de qualidade no desenvolvimento de um produto
ou serviço. Inclusive, para as situações
em que o conhecimento e a criatividade são intensivos
no atendimento às necessidades do cliente.
Aí, podemos fazer uma pergunta singela: quais as empresas
de comunicação que têm esta "vantagem
competitiva"?
Num momento em que a área publicitária vive
uma transição, convivendo com uma recente auto-regulamentação
ao mesmo tempo em que fatores econômicos afetam a rentabilidade
dos negócios, não seria surpresa se os anunciantes
começassem a exigir certificações de
qualidade para suas agências. O mesmo valerá
para produtoras, mídia, empresas de marketing e estúdios
de design. E a lista vai em frente...
Uma agência de comunicação, basicamente,
tem seu pessoal dividido em processos voltados ao atendimento,
à criação, à mídia, à
pesquisa e à gestão administrativa. E poderá
ter outros processos ligados a meios alternativos e non-advertising,
relações públicas, design e assessoria
de imprensa.
Fica evidente que uma agência-modelo tem processos voltados
ao seu relacionamento com o cliente e outros orientados ao
planejamento estratégico, informação,
análise e avaliação de resultados. Tem,
ainda, aqueles vinculados à gestão de pessoas
e à gestão do relacionamento com fornecedores
e parceiros. Investir em qualidade será muito mais
que uma mera "filosofia de parede", quando cartazes
são afixados pelos corredores.
É fundamental haver um compromisso claro com o destino
que se pretende dar à agência, difundir claramente
as metas e processos críticos, ter um plano de desenvolvimento
de competências e implantar um efetivo conjunto de ações
voltadas à melhoria contínua. Para tanto, não
é preciso carregar para todo lado a lista de critérios
do Prêmio Nacional da Qualidade!
Especialistas já afirmaram que as empresas de conhecimento
intensivo devem valorizar um esforço conjunto de empregados
e gerentes para que, de forma organizada, busquem a excelência
empresarial, a liderança no seu segmento de negócio
e, é claro, a intimidade com o cliente.
Num momento em que nossas agências lutam arduamente
para manter e, se possível, conquistar contas novas,
vale um exercício aritmético. Philip Crosby,
guru no assunto, afirmou certa vez que se gasta, pelo menos,
20% da receita empresarial refazendo-se coisas, nos casos
em que não se administra de forma correta a qualidade
dos processos. Como ninguém vai aceitar esse número,
pacificamente, digamos que o correto seja a metade.
Logo, se nossa agência-modelo não tiver um plano
de melhoria em seus processos, uma conta conquistada a duras
penas, que gere uma receita líquida ao redor de R$
1 milhão ao ano, terá R$ 100 mil perdidos pelo
ralo. Já imaginaram que tortura será pensar
naquelas receitas maiores, na casa dos dois dígitos?
Vale a pena relaxar nessa questão?
Por trás dessa indiscutível e próxima
realidade, em que as empresas de marketing e comunicação
estarão sendo cobradas quanto a certificações
de qualidade, surgiu nossa motivação para este
artigo. Aliás, como canja e caldo de galinha não
fazem mal a ninguém, é melhor que os empresários
de comunicação dêem atenção
a este assunto antes que seja tarde, com perdas de rentabilidade
e de competitividade.
Que tal começarem por identificar, em suas empresas,
os indicadores de resultados?
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