É
possível medir resultados em Marketing?
Algum
dia ocorrerá o fim dos conflitos entre Finanças
e Marketing, quando da definição dos recursos
para investimentos afins com a área mercadológica?
O leitor pode apostar que, no momento de concluir o planejamento
orçamentário de uma empresa, haverá divergências
entre as idéias do executivo financeiro e as do executivo
de Marketing. Se existe a perspectiva de um trabalho de construção
de marca, então, cabelos chegam a ser arrancados! O
ponto-chave é apontar qual o resultado real que os
investimentos propostos, principalmente em comunicação,
irão trazer para a empresa?
O executivo de Marketing, pela sua ótica, garante que
a importância de um trabalho de comunicação
institucional está ligada à formação
ou confirmação de atributos e valores positivos
associados à marca (da empresa e/ou do produto). A
médio e longo prazos, isso irá se refletir diretamente
no comportamento do consumidor (do produto ou serviço).
Como combinar estratégias e táticas com recursos
limitados e abaixo das expectativas?
O executivo financeiro, ou mesmo o próprio dono do
negócio, até entende que a construção
de uma imagem institucional adequada aos interesses empresariais
terá significativos reflexos em tudo que diz respeito
à atividade-fim, principalmente nos resultados tangíveis.
Mas ele quer que, cada vez mais, seja possível cortar
custos e maximizar os investimentos em comunicação.
Como se poderá obter uma alta margem com um investimento
reduzido em Marketing?
Em outras palavras, a alta margem terá relação
direta com qualidade, custos controlados, produtividade e
preços. Mas há três aspectos sobre os
quais a área financeira não tem capacidade de
gestão, ou seja, a situação do mercado,
o poder aquisitivo do consumidor e a sua percepção
de valor para os produtos da empresa. Será possível
usar uma combinação de estratégias e
táticas de Marketing com um investimento limitado,
mesmo assim alcançando fidelização, força
e mais a lucratividade no relacionamento com os clientes e
consumidores?
Surgem então a pergunta central e outras derivadas:
como medir os resultados dos investimentos? Será que
os prazos de concretização de resultados, no
entendimento da área financeira e da área mercadológica,
são compatíveis entre si? Será possível
estabelecer-se indicadores de resultados mensuráveis,
aceitos por ambos os atores desse processo de gestão?
Há alguma forma de acelerar esse processo?
Em primeiro lugar, a resposta mais óbvia, mas que faz
extrema diferença, é que uma empresa não
é o local certo para embates ideológicos ou
conceituais, mas sim um ambiente de negócio onde os
gerentes devem se harmonizar em busca de objetivos comuns.
Portanto, além da competência técnica
e dos recursos humanos bem capacitados, tudo começa
com cada área buscando se alinhar ao modelo de negócios
da empresa. Fim dos paradigmas de gestão!
Um diagnóstico recente sobre o resultado de pequenas
e médias empresas, realizado no Rio de Janeiro, mostrou
que são mais bem sucedidas as que aplicam um modelo
de gestão que integra as várias competências
internas, criando sinergia e eliminando dissidências.
Eis então uma lição antiga, para qualquer
porte de empresa: as pessoas não implementam aquilo
que não entendem. De nada adiantará tentar convencer
a outra parte de qualquer coisa se, no final de contas, não
existir um entendimento do todo e que viabilize a execução
de uma estratégia comum.
É da tradição da área financeira
brasileira um certo imediatismo na obtenção
de resultados, o que leva a um julgamento rigoroso quanto
ao planejamento de Marketing, ainda mais que este envolve
vários fatores a serem trabalhados num período
mais longo. E também é da tradição
que os profissionais de Marketing nem sempre foram preparados
para vincular investimentos a metas quantificadas. A valorização
da criatividade em comunicação tem tido grande
prioridade, às vezes até mesmo sobrepujando
outras preocupações inerentes à área.
Afinal, é ou não é possível trabalhar
com metas para avaliar o investimento em Marketing?
Se a empresa começar a perceber que Marketing não
se confunde com a estrutura de vendas, isso já é
um bom passo. E portanto, para vencer a concorrência
e ter lucratividade, deve assumir que Marketing é um
processo integrador e orientado ao mercado, em que cada área
da empresa tem sua parcela de participação e
responsabilidade. Mas não é só isso.
Hoje em dia, qualquer empresa pode trabalhar numa metodologia
para avaliar o retorno sobre investimento em Marketing. Além
do avanço tecnológico dos sistemas digitais,
bem como do conhecimento sobre os fatores críticos
de sucesso do negócio, a empresa poderá viabilizar
sistemas de apoio a decisão em praticamente todas as
suas áreas estratégicas.
Na atual arena de mercado, essa visão proativa em Marketing
é fundamental. Além das várias metodologias
que permitem valorar marcas (que às vezes superam o
valor dos bens tangíveis da empresa), há critérios
indiscutíveis que relacionam fidelização
a lucros, por exemplo. Entre outras possibilidades, a empresa
deve encontrar o seu caminho para quantificar resultados.
Para isso, trabalhar sob a inspiração da segmentação
pode ser uma excelente opção, principalmente
por permitir que a empresa se comunique direta e especialmente
com seus clientes e públicos. Estes, em grande parte
das vezes, podem ser alcançados por uma mídia
alternativa ou mesmo a regionalizada. Mídia que pode
estar orientada por uma determinada temática ou para
um público específico. Fora dos grandes centros,
isso faz enorme diferença!
Assim, quando se trata da comunicação institucional
e, portanto, de um conceito agregado à marca empresarial,
é fundamental conhecer-se sob qual ótica ou
critérios cada parcela da sociedade (enquanto contribuinte
ou consumidor) forma sua opinião. E se a ação
mercadológica é orientada a um produto ou serviço,
similarmente, a empresa deve trabalhar coletivamente para
encontrar os mais adequados indicadores de gestão e
de resultados.
Vale lembrar que a empresa busca por resultados do mesmo modo
como ocorre com o cliente. Ninguém quer comprar um
produto ou serviço, as pessoas compram resultados (pois
com eles vai atender seus mais profundos anseios racionais,
emocionais ou sensoriais). A ênfase deve estar em identificar
os fatores que geram percepção de valor e satisfação
do cliente, segundo os princípios e práticas
mercadológicas adotadas pela empresa. Depois, a etapa
posterior é avaliar como os investimentos previstos
em Marketing irão influir nesses fatores.
Certamente, isso não é rápido, fácil
e nem há uma fórmula mágica que sirva
a toda e qualquer empresa. O que existe disponível
na literatura é um conjunto de pesquisas, modelos e
estudos que podem contribuir para se gerar valor ao cliente
e, com isso, alcançar maior lucratividade para a empresa.
E esta deve trabalhar, incessantemente, para identificar no
seu modelo de gestão quais os fatores críticos
de sucesso para o investimento no processo de Marketing.
Como ponto final de atenção, acredite que o
valor do cliente para uma empresa está estruturado
em três pilares essenciais: qual a capacidade que a
empresa tem em manter o cliente, em explorar as referências
de terceiros que ele viabiliza e, não menos importante,
em ampliar seu relacionamento para outros produtos ou serviços.
Começando por analisar bem esses pilares, já
estará sendo aberta a trilha que vai levar ao caminho
tão esperado. Aquele que permitirá à
empresa medir resultados em Marketing. Que tal começar
a pensar nisso?
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