O
Governo Bush e a marca USA
Confesso,
de pronto, que a inspiração para escrever este
artigo nasceu ao ler uma crônica de Viejo Hyppas, do
Grupo WPP, o qual é um estrategista finlandês
em comunicação e imagem de marcas. Assim, o
resultado deste texto, eu espero, será uma mistura
das afirmações que ele faz em defesa de sua
tese com as minhas percepções a respeito. É
claro, texto este sujeito às concordâncias ou
discordâncias possíveis de cada leitor, abaixo
ou acima da linha do Equador!
Hyppas cria a seguinte hipótese: inegavelmente, a marca
USA é de uma força global imensa. No momento,
o gestor maior dessa marca chama-se George W. Bush, sendo
que cada americano, em última instância, é
um acionista. Como será que está evoluindo o
valor dessa marca?
Num mundo em que, no topo das maiores corporações,
estão dezenas de marcas americanas, é simples
afirmar que a simpatia (ou antipatia) que venha a ser desenvolvida
em relação à marca USA acabará
por influenciar o relacionamento dos consumidores com as marcas
dessas empresas. Em outras palavras, um consumidor faz associação
direta da marca empresarial com o país de origem, bem
como a sua imagem pública e de responsabilidade social,
até porque nem sempre consegue identificar os diferenciais
objetivos de performance do produto.
Vem então a pergunta: a política internacional
americana, liderada por Bush, está criando simpatia
ou antipatia pela marca USA? Considerando que a você
fosse dado o direito de investir nessa marca, no momento atual,
qual seria a sua posição a respeito? Analisando
o histórico das empresas bilionárias daria bem
para correr riscos mas, pela mais recente desvalorização
do dólar em relação ao euro e a crescente
dívida interna americana, "a barba começaria
a coçar", não é mesmo?
Podemos lembrar que, no início da Guerra do Iraque,
muitas manifestações anticonsumo circularam
pela internet, principalmente contra produtos da Coca-Cola
e do McDonalds. Os interesses internacionais americanos, os
conflitos econômicos e os políticos que têm
marcado a gestão Bush, tudo isso se soma numa perigosa
crise de imagem dos Estados Unidos, com conseqüências
potenciais desastrosas para suas empresas. Desde o fatídico
11 de Setembro, o continuado alerta do risco de novas ações
terroristas é mais devastador, economicamente, do que
se pode imaginar.
Recentemente, com a intenção de aumentar sua
segurança, aquele país criou novas restrições
e controle na entrada de estrangeiros. A par das reclamações
de muitos patrícios ao modo autoritário como
foram tratados no processo de imigração, das
retaliações a título de reciprocidade
como ocorrem no Brasil, o que vale mesmo é a dimensão
com que hoje a marca USA tem aparecido, no mundo todo, ligada
a conflitos. Haja atributo positivo para poder equilibrar
com essa enxurrada de problemas e contenciosos!
Hyppas afirma, lastreado em suas pesquisas e levantamentos,
que se a política Bush continuar como está,
dificilmente as empresas americanas conseguirão manter
sua atual participação em mercados globais.
E completa, com a sentença de que cada vez mais as
empresas americanas irão sofrer, diretamente, uma desvalorização
como resultado das atitudes desse grande gestor da marca USA.
Até o final do ano, o Governo Bush precisa mostrar
que sua política internacional contribui para valorizar
os atributos históricos da marca USA, bem como economicamente
vai manter o padrão de vida a que os americanos estão
acostumados. E talvez seja a hora de ser seguida uma máxima
lição política, popularizada no Brasil
por um grande cacique da Bahia, que sempre orientou seus pares
a "não se comprar mais de uma boa briga de uma
só vez, ao mesmo tempo".
Ao final de 2004, uma grande assembléia geral de acionistas
vai definir se o gestor da marca USA continuará ou
não no cargo. Então, todo o cuidado dele é
pouco pois outros países estão com predisposição
a ocupar novas posições estratégicas
no mundo, institucionalmente e através de suas empresas
transnacionais. Não existe espaço vazio na economia
e na política, mas há um protocolo ético
entre as nações, que não pode ser quebrado,
sob o risco de uma grande fatura mais à frente.
Parece, pelo que se ouve e se lê, que essa fatura está
em fase de elaboração, juntando os cacos dos
acontecimentos e fatos mais recentes. Será que as empresas
americanas é que vão pagar essa conta?
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